Digital e sustentabilidade: o caminho para tornar o setor das telecomunicações mais verde

Opinião de António Arnaut, Country Manager Portugal, Lyca Mobile

Executive Digest
Setembro 23, 2025
11:22

Por António Arnaut, Country Manager Portugal, Lyca Mobile

O setor das telecomunicações tem sido fundamental para a transformação digital que molda o nosso quotidiano, mas também enfrenta um desafio incontornável: a necessidade de reduzir o seu impacto ambiental. Numa altura em que a sustentabilidade é uma exigência, tanto dos reguladores como dos próprios consumidores, é fundamental repensar o papel das empresas de telecomunicações na construção de um futuro mais verde.

A pegada ecológica deste setor é significativa e está diretamente ligada ao consumo energético das redes móveis – sobretudo em ambientes urbanos densos –, representando uma fatia importante das emissões globais. A cada novo serviço, a cada gigabyte transferido, aumenta a pressão sobre infraestruturas que, muitas vezes, ainda dependem de fontes de energia convencionais.

Neste contexto, a eficiência energética tornou-se um critério-chave nas decisões tecnológicas e regulatórias. É imperativo que as escolhas relativas a temas como a utilização do espectro e a implementação de redes considerem a pegada de carbono, promovendo soluções de baixo consumo e incentivando o recurso a energias limpas.

A transformação digital tem, então, de tornar-se uma aliada da sustentabilidade. A digitalização de processos permite às operadoras repensar as suas operações, reduzindo a necessidade de recursos físicos e otimizando o consumo energético. Um exemplo disto é a adoção do eSIM: de acordo com o estudo ‘Improving the Environmental Credentials of the SIM Industry’, da Trusted Connectivity Alliance, a adoção desta tecnologia pode evitar a emissão de milhares de toneladas de CO2 por ano, ao eliminar a necessidade de produção, transporte e descarte de cartões físicos, para além de reduzir a utilização de plástico e papel. Em Portugal, a massificação do eSIM representará uma oportunidade concreta para o nosso setor contribuir para a redução de resíduos e emissões, em linha com as melhores práticas internacionais.

Porém, a responsabilidade das empresas de telecomunicações vai além da adoção de novas tecnologias mais sustentáveis – as próprias práticas do setor estão sob pressão crescente para serem mais amigas do ambiente. Os consumidores estão atentos e valorizam marcas que assumem compromissos claros com o ambiente, exigindo transparência, provas concretas e ação visível. Cabe às operadoras responder a este desafio, não apenas compensando o impacto do consumo de dados com investimentos em energias renováveis ou projetos de compensação de carbono, mas também promovendo uma cultura interna de responsabilidade ambiental.

A digitalização dos serviços é, por isso, uma oportunidade dupla: permite às ‘telcos’ inovar na experiência do cliente, e ao mesmo tempo que contribuirem para a redução do impacto ambiental. A substituição de processos físicos por soluções digitais, desde a adesão a serviços até ao apoio ao cliente, traduz-se numa menor utilização de papel, menos deslocações e uma operação mais eficiente. No fundo, trata-se de alinhar a conveniência e a inovação tecnológica com uma visão de sustentabilidade que é, cada vez mais, um fator de diferenciação competitiva.

O caminho para um setor de telecomunicações mais verde passa, assim, por uma aposta clara na eficiência energética, na digitalização e na adoção de soluções digitais como o eSIM. Acredito que, ao conjugar tecnologia e responsabilidade ambiental, as operadoras não apenas poderão dar resposta às exigências do presente, como estarão a preparar-se para um futuro mais consciente, mais eficiente e verdadeiramente sustentável.

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