Continua a crescer o coro de vozes em todo o mundo que reivindica que a China compense os países que sofreram danos graves devido à pandemia do coronavírus, na certeza de que a resposta e partilha tardia da situação pelo governo chinês levou a pesadas perdas económicas.
Apenas nesta semana, o procurador-geral do Missouri, nos EUA, entrou com uma ação contra o governo chinês pela forma como lidou com o surto, apontando que a resposta da China levou a devastadoras perdas económicas este Estado.
Recorde-se que o surto de coronavírus foi relatado pela primeira vez na cidade chinesa de Wuhan no final do ano passado. Desde então, espalhou-se para mais de 180 países e territórios, matando mais de 190 mil pessoas em todo o mundo, segundo os dados da Universidade Johns Hopkins. O número de casos relatados globalmente já ultrapassa os 2,7 milhões.
O processo do Missouri foi aberto num tribunal federal pelo procurador-geral do Estado, Eric Schmitt, alegando negligência por parte da China. A denúncia diz que o Missouri e seus moradores perderam dezenas de biliões de dólares e procura obter uma compensação em dinheiro.
“O governo chinês mentiu ao mundo sobre o perigo e a natureza contagiosa da covid-19, silenciou os denunciantes e fez pouco para impedir a propagação da doença. Deve ser responsabilizado pelas suas ações”, defende disse Schmitt
Existem ainda outras ações movidas em tribunais dos EUA em nome de proprietários de empresas, incluindo uma ação coletiva na Flórida, que procuram comonesações por parte do governo chinês por danos relacionados com o coronavírus, em nome de milhares de pessoas.
Em resposta ao processo do Missouri, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, afirmou, na passada quarta-feira, que “não tem base factual ou legal” e “apenas convida ao ridículo”.
Geng disse ainda que o governo chinês “não foi outra coisa que não aberto, transparente e responsável” ao informar a Organização Mundial da Saúde e os EUA, entre outros países, sobre a pandemia, tendo fornecido todas as informações relacionadas.
Mas o processo do Missouri não foi o primeiro pedido de indemnização a Pequim, e pode não ser o último.
Um ‘think tank’ conservador britânico, a Henry Jackson Society, argumentou, num relatório divulgado já em abril, que a China é obrigada pelo direito internacional a relatar informações cruciais sobre saúde pública oportunamente, de forma precisa e detalhada. No entanto, “não cumpriu as suas obrigações” de dezembro e janeiro, altura dos estágios iniciais do surto, aponta o relatório.
“A negligência do governo chinês custou ao G7 pelo menos 4 biliões de dólares e ao mundo inteiro uma quantia atualmente incalculável”, reforçou o grupo de pesquisa.
“Antes de pedir à China para cobrir as perdas sofridas pela pandemia da covid-19, o Reino Unido deve considerar o quanto deve à China e ao mundo por sua atividade colonial”, relatou o Global Times no início de abril.
Na Alemanha, o maior jornal do país em circulação, o Bild registou prejuízos no total de 149 biliões de euros e anunciou-o num artigo intitulado “O que a China já nos deve”.
A embaixada chinesa na Alemanha respondeu “num tom enfurecido” ao editor do jornal, numa carta aberta, dizendo que o jornal estava a alimentar os nacionalismos, preconceito e hostilidade contra a China.
Na Austrália, os legisladores também pediram indemnização – e a embaixada chinesa na Austrália também respondeu “com raiva” a esses comentários, considerando que se tratam de “calúnias maliciosas” e “falsas alegações”.
Também o Conselho Internacional de Juristas e a Ordem dos Advogados da Índia, com sede em Londres, apresentou uma queixa conjunta ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, reclamando igualmente uma compensação à China.














