Francisco Pinto Balsemão foi uma das personalidades que mais profundas marcas deixaram nas últimas cinco décadas em Portugal. O antigo primeiro-ministro e fundador da SIC e do Expresso faleceu ontem aos 88 anos.
Licenciado em Direito, cedo trocou a toga pela escrita e pela gestão editorial, criando em 1973 o semanário o Expresso, ainda durante a ditadura, e a SIC, primeira televisão privada em Portugal, em 1992.
A sua trajetória política iniciou-se em 1974 com a participação na fundação do Partido Social Democrata. Depois de vários cargos políticos, assumiu a chefia do Governo em janeiro de 1981, num período em que a jovem democracia portuguesa enfrentava grandes desafios institucionais e económicos. A revisão constitucional de 1982, aprovada durante o seu mandato, limitou os poderes do Conselho da Revolução e representou um passo decisivo rumo à estabilidade democrática.
Reconhecido com diversas condecorações e prémios, Pinto Balsemão foi simultaneamente elogiado pela capacidade empreendedora e criticado por posições políticas que, algumas vezes, geraram polémica — traços comuns à vida pública de um homem que nunca esteve alheio ao debate nacional.
Até aos últimos anos manteve presença institucional no conselho de administração da Impresa e continuou a publicar textos e intervenções públicas. O impacto do seu trabalho sente-se tanto nas redações como nas redações de um país que ele ajudou a modernizar.
Património
Francisco Pinto Balsemão possuía um património avaliado em cerca de 40 milhões de euros. Os dados baseiam-se na última declaração de rendimentos entregue em julho de 2024, citada pela revista Sábado, e que detalha aplicações financeiras, contas bancárias, propriedades e participações em sociedades.
Entre os imóveis constavam uma moradia na Quinta da Marinha, avaliada fiscalmente em 721,8 mil euros, e o palacete da Lapa, vendido entre julho e setembro de 2024, o que reforçou as suas contas e investimentos. Balsemão detém 19,6 milhões de euros em aplicações financeiras, 12 milhões em carteiras de títulos, 2,87 milhões em contas à ordem e 842 mil em depósitos a prazo. No setor empresarial, destaca-se a participação de 1,5% na Impresa, avaliada em 1,26 milhões de euros, além de posições na Balseger e na Estrelícia – Investimentos Imobiliários. Declarou ainda 106,4 mil euros de rendimentos de trabalho e mais-valias de 1,069 milhões, complementados por pensões e rendimentos de capitais.
O adeus
“Portugal perdeu, hoje, uma das personalidades mais marcantes dos últimos sessenta anos. Na política, na sociedade, na afirmação da liberdade de expressão e de imprensa.”, afirmou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, num comunicado no site da Presidência. “Visionário, pioneiro, criativo, determinado, batalhador, democrata, social-democrata, europeísta e atlantista, esteve em quase todos os combates de meados dos anos sessenta até hoje.”
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, recordou Francisco Pinto Balsemão como “símbolo da fundação” do PSD e lembrou as muitas vezes que espicaçava o partido para “aprofundar a social-democracia”.
O gestor e ex-banqueiro António Horta Osório afirmou hoje que Francisco Pinto Balsemão foi um baluarte da democracia portuguesa e um defensor intransigente da liberdade de imprensa, considerando que Portugal fica mais pobre. “Francisco Pinto Balsemão foi um baluarte da democracia portuguesa e um defensor intransigente da liberdade de imprensa”, disse António Horta Osório, numa reação à sua morte, enviada à agência Lusa. “Portugal fica hoje mais pobre”, concluiu o gestor, que há cerca de um ano renunciou ao cargo de administrador da Impresa para se dedicar à sua atividade internacional.
















