Desde que a pandemia da Covid-19 chegou à Europa até ao final de agosto, quase 200 mil pessoas perderam a vida. Nesta segunda vaga, o número de óbitos chegou aos 164 mil no final de novembro, altura em que as infeções atingiram ao pico, começando a descer um pouco por todo o continente, avança o ‘El Confidencial’.
Embora sejam números semelhantes, a imagem seis meses depois não podia ser mais diferente: enquanto que em março, abril e maio os hospitais estavam lotados, algumas morgues tiveram de ser improvisadas e as maiores avenidas estavam vazias, em outubro e novembro o foco esteve no consequências económicas da pandemia ou no número de pessoas que podem jantar juntas no Natal.
No entanto, adianta o jornal espanhol, isso não significa que o número de infeções e mortes por coronavírus tenha sido menor ou que os países tenham combatido melhor o vírus. Na verdade, esta segunda vaga deixou duas importantes conclusões para o continente.
A primeira é que alguns dos que geriram a crise inicial com atenção e conseguiram manter a pandemia controlada, como é o caso na maioria dos países orientais, foram vítimas do seu próprio sucesso. «Eu chamo isto de paradoxo do confinamento precoce», explica Tamara Popic, investigadora do Programa de Políticas de Saúde Max Weber da Universidade Europeia de Florença, citada pelo ‘El Confidencial’.
«Muitas pessoas não ganharam experiência com a crise de saúde pública porque o seu país fez um bom trabalho. Desta forma, minimizou o vírus. Nesta segunda vaga, os governos do Leste Europeu estavam confiantes e demoraram a implementar medidas restritivas», acrescentou a responsável.
A segunda conclusão, continua o jornal, é que nem sempre se aprende com os erros. Mesmo que um determinado país tenha falhado na luta contra o vírus no primeiro ataque, pode ter sucumbido novamente neste segundo. É o caso da Bélgica, Itália, Espanha, França ou Estados Unidos.
«A comunicação governamental na grande maioria dos países tem sido «péssima» e tem causado descontentamento nos próprios cidadãos. «Por mais que sejam implementadas medidas restritivas, se as pessoas estão cansadas e não as cumprem, é inútil», acrescenta Popic.
Ao contrário do que aconteceu na primeira vaga, estes países conseguiram evitar o colapso dos seus hospitais graças, entre outras coisas, a uma melhora no tratamento de pacientes ligeiros e graves. Para além disso, os novos casos estão mais distribuídos pelo território, o que torna mais difícil para um ponto específico colapsar.
Ainda assim, os países registaram números de mortes semelhantes aos da primeira vaga, as infeções dispararam e os governos não foram capazes de implementar um traço eficaz, revela o ‘El Confidencial’, que analisou um gráfico da Universidade Johns Hopkins, com os 20 países com mais de cinco milhões de habitantes que têm o maior número de mortes acumuladas por cada milhão do início até 30 de novembro. Portugal não está incluído.
Do total de países, 10 são europeus e nove são americanos. Só o Irão não pertence a nenhum destes dois continentes. Os países europeus ocupam o topo da lista desde a primeira vaga: a Bélgica, que agora acumula quase 1.500 mortes por milhão de habitantes; Reino Unido, Itália e Espanha, que estão entre as 800 e as mil, após o crescimento causado nos últimos meses pela segunda vaga da pandemia.














