Covid-19. Portugal tem taxa de letalidade de 3,3% (muito abaixo da média europeia)

Portugal tem, neste momento, uma taxa de letalidade de 3,3%, que sobe a 10,7% no caso das pessoas com mais de 70 anos, as principais vítimas mortais da pandemia de Covid-19. Ou seja, uma taxa inferior à europeia, que se encontra nos 8,6%.

Executive Digest
Abril 16, 2020
11:13

Portugal tem, neste momento, uma taxa de letalidade de 3,3%, que sobe a 10,7% no caso das pessoas com mais de 70 anos, as principais vítimas mortais da pandemia de Covid-19. Ou seja, uma taxa inferior à europeia, que se encontra nos 8,6%, revela o “Diário de Notícias” (DN), explicando que, para calcular a taxa de letalidade divide-se o número de mortes pelo número total de infectados e multiplica-se por 100.

No entanto, o “DN” explica que o número de infectados pode não corresponder ao verdadeiro total de casos, uma vez que estes dependem de testes positivos. «O grande problema é que nós não sabemos o número de infectados. O que nós sabemos são só os notificados. Só se encontra aquilo que se procura. Se só se apanhar os graves e os que morrem, as taxas de letalidade parecem altíssimas», alerta ao jornal o infeciologista Jaime Nina, do Hospital Egas Moniz e professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

Este é, por exemplo, o caso da Alemanha, que tem das menores taxas de letalidade da Europa (2,7%), assim como da Coreia do Sul (2,1%) ou da Nova Zelândia (0,64%). «A Alemanha faz mais testes num dia do que Portugal fez desde o início da pandemia até agora», fez notar o especialista.

Em Portugal, desde o primeiro dia de Março foram feitos mais de 200 mil testes de despiste de Covid-19 no país, segundo o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, que falava ontem na conferência de imprensa diária da Direção-Geral da Saúde. Em stock, existem mais de 35 mil testes.

«Um colega meu que está na Suécia a trabalhar na Covid faz testes dia sim, dia não. Os meus colegas [do Hospital Egas Moniz, em Lisboa] que estão a trabalhar na enfermaria da Covid, até agora, nenhum fez um teste. Só fazem testes se tiverem febre e tosse», acrescentou ainda Jaime Nina.

António Lacerda Sales disse ainda que a taxa de letalidade no país «é de cerca de 5,5 por cada cem mil habitantes. É uma taxa inferior à da maioria dos países da Europa. Com menor taxa estarão a Alemanha e a Áustria».. A taxa portuguesa ao dia de hoje é de 3,3%, quando a média do mês de Março apontava para 2,3%, de acordo com um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, faz notar o “DN”.

Apesar de estar a subir, a taxa de letalidade portuguesa encontra-se entre as mais baixas. A Bélgica, por exemplo, um país com uma população idêntica à de Portugal (11,46 milhões de habitantes, quando Portugal tem 10,28 milhões) e onde o novo coronavírus registou os primeiros casos confirmados na mesma altura – no início de Março -, tem uma taxa de letalidade de 13,2%.

Itália e Espanha, por sua vez, registam taxas mais elevadas. Segundo o infeciologista Jaime Nina isso pode estar relacionado com a falta de capacidade de testagem. «Há uma grande subnotificação em Portugal, mas uma ainda maior em Espanha e em Itália, que já ultrapassaram os seus recursos.»

A taxa de letalidade global é agora de 6,3% – abaixo da europeia (8,6%). Já a China – onde surgiu o surto no final do ano passado – apresenta 4%.

A nível global, a pandemia de Covid-19 já provocou quase 127 mil mortos e infectou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios. A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Em Portugal, morreram 599 pessoas das 18.091 confirmadas como infectadas, segundo o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

O Presidente da República decide hoje, com parecer do Governo, sobre o prolongamento do Estado de Emergência por novo período de 15 dias, que durante a tarde será debatido e votado no parlamento.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.