O número real de mortes pelo novo coronavírus na China pode ser 14 vezes superior ao apresentado nas estatísticas oficiais, de acordo com um novo estudo da Universidade de Washington, da Ohio State University e da empresa de comunicações americana AT&T, publicado no medRxiv.
Investigadores da Universidade norte-americana tiveram por base a actividade dos crematórios da cidade de Wuhan para tentar calcular números precisos, sugerindo que a China encobriu a verdadeira dimensão da sua epidemia.
A equipa responsável pelo estudo descobriu que a cidade de Wuhan, onde teve origem a pandemia em Dezembro, pode ter queimado entre 800 a dois mil corpos por dia na segunda semana de Fevereiro, altura em que o número oficial de mortos em toda a China era de apenas 700.
Relatos de 86 crematórios de Wuhan, que funcionam 24 horas por dia, levantam suspeitas de que o número de pessoas que morreram foi mais do que o relatado pelas autoridades chinesas.
Também as agências funerárias investiram muito na compra de milhares de urnas, com o estudo a sugerir que a 23 de Março, a China registava cerca de 36 mil mortes, ao contrário das 2.254 que constam nos registos oficiais.
«As estimativas de mortes acumuladas, baseadas na distribuição de urnas funerárias e na operação da capacidade total contínua de serviços de cremação até 23 de Março de 2020, oferecem resultados em torno de 36 mil mortes, cerca de 14 vezes superior ao número oficial de 2.524 vítimas mortais», dizem os autores do estudo.
A equipa acrescenta ainda que existe «uma subnotificação significativa de dados oficiais chineses sobre a epidemia de Covid-19 em Wuhan no início de Fevereiro, o momento mais crítico da resposta à pandemia da Covid-19».
Pequim diz que já ocorreram 4.634 mortes por Covid-19 e 83.265 infecções na cidade. Os números mostram que 98% das mortes registadas pela doença tiveram lugar na província de Hubei, da qual Wuhan é a capital.
O estudo, que se baseou em informações da imprensa local e não em dados científicos, adiciona alegações de que a China não foi transparente sobre a gravidade exacta do surto de Covid-19, o que, segundo os especialistas, influenciou outros países.
O estudo admitiu contudo, que os seus números são apenas aproximados e podem conter erros, mas que a lógica aponta para que os números reais possam ser muito superiores aos oficiais relatados pela China.














