COVID-19: Dexametasona está a ser usada em Portugal mas o Infarmed diz que pode “mascarar sintomas”

O Infarmed admite que a dexametasona poderá estar a ser usada em Portugal, “em casos muito concretos, por indicação do médico”, mas também deixa claro que não é recomendada.

Executive Digest
Junho 25, 2020
13:23

O Infarmed admite que a dexametasona poderá estar a ser usada em Portugal, “em casos muito concretos, por indicação do médico”, mas também deixa claro que “corticóides, pelo seu efeito imunosupressor, não são recomendados”. Em declarações à revista Sábado, a Autoridade Nacional do Medicamento sublinha que este tipo de medicamentos pode “mascarar os sintomas de uma infecção e adiar o tratamento necessário”.

Segundo a mesma publicação, a dexametasona provou reduzir casos graves da doença, ajudando também a evitar mortes de pacientes infectados por COVID-19. Porém, o boletim informativo do Infarmed não recomenda a sua administração nas formas oral e injectável em pessoas com “infecção por vírus”.

O Infarmed mostra-se reticente em relação aos estudos que têm sido divulgados, nomeadamente o ensaio Recovery da Universidade de Oxford, segundo o qual a dexametasona será o primeiro medicamento clinicamente testado que consegue tratar casos graves de COVID-19. O Infarmed diz que é preciso “aguardar para a publicação da análise dos resultados dos ensaios após escrutínio inter-pares”.

O ensaio da Universidade de Oxford aponta para uma redução de 20% das mortes relativamente a doentes com necessidade de oxigénio. Nestes casos, o tratamento com 6 miligramas de dexametasona uma vez por dia, por via oral ou por via intravenosa, mostrou resultados positivos. Por outro lado, não foi verificado qualquer benefício entre pacientes que não precisem de suporte respiratório.

Os resultados fizeram com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) descrevesse a dexametasona como o primeiro medicamento comprovado a reduzir a mortalidade em casos graves de Covid-19, mas ressalvou que era necessário ainda estudar melhor o assunto. Dias depois, lembra a Sábado, Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS, já afirmou que é preciso «aumentar a produção e distribuir rapidamente» a dexametasona em todo o Mundo.

O Infarmed garante ainda que não é previsível um cenário de escassez de dexametasona e que haverá até um reforço do “abastecimento do mercado com o medicamento Dexametasona KRKA”, a partir de 1 de Julho. Trata-se de uma solução injectável de 4mg/ml, que não é referida no site do Infarmed nem na lista indicada à Sábado de medicamentos autorizados e comercializados em Portugal.

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