Luís Pitarma, o enfermeiro português que cuidou do primeiro-ministro britânico, Boris Johnon, enquanto ele esteve hospitalizado no hospital St. Thomas, falou pela primeira vez da experiência, através de uma nota de imprensa divulgada no Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.
O jovem de 29 anos trabalha há cerca de quatro anos naquele hospital britânico e conta como soube que Boris Johnson estaria hospitalizado e que teria de cuidar dele.
«Eu estava a vestir o meu equipamento antes do meu turno à noite quando me chamaram e disseram que o primeiro-ministro estava prestes a entrar na Unidade de Cuidados Intensivos. Fui escolhido para tratar dele porque tinham confiança em como lidaria bem com a situação», explica o enfermeiro.
Luís Pitarma conta que se sentiu «nervoso no início – ele era o primeiro-ministro. A responsabilidade que teria nas mãos era bastante avassaladora. Não sabia bem como me dirigir a ele – devia chamar-lhe Boris, sr. Johnson ou primeiro-ministro? O meu chefe acalmou-me e disse-me para ser eu mesmo como sou com qualquer outro paciente».
Depois de Luís ter questionado o primeiro-ministro britânico sobre qual a melhor forma de tratamento, a resposta foi: «ele disse-me para lhe chamar Boris. Isso fez-me sentir menos nervoso porque ele retirou qualquer formalidade. Só queria que cuidassem dele como se fosse qualquer outra pessoa».
«Estive ao seu lado nas três noites que passou na Unidade de Cuidados Intensivos. Conversámos um pouco, incluindo sobre de onde eu era. Disse-lhe como tinha sonhado trabalhar no hospital de St. Thomas desde o primeiro dia de estudo em Portugal em 2009, quando aprendi sobre Florence Nightingale (pioneira da enfermagem, célebre por tratar feridos de guerra, que viveu entre 1820 e 1910) e a sua ligação ao hospital», explicou o enfermeiro.
Luís Pitarma conta que viu o seu trabalho reconhecido, depois de Boris Johnson lhe ter agradecido pessoalmente antes de deixar a unidade de cuidados intensivos. «Ele agradeceu-me por lhe ter salvado a vida. Senti-me extremamente orgulhoso por alguém como ele ter reconhecido a qualidade do trabalho que fiz. Fiquei muito feliz com as suas palavras, foram muito gentis. Espero que me possa encontrar com ele um dia quando ficar completamente recuperado».
Contudo, Boris não foi o único a prestar o seu agradecimento ao enfermeiro português, também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o surpreendeu com uma chamada telefónica: «Foi bastante surreal mas fiquei muito orgulhoso por ter recebido a sua chamada. Ele agradeceu-me pelo que fiz, por ser enfermeiro e por representar o País».
«Sublinhou o apoio de todos no mundo inteiro. Foi uma mensagem muito querida e fiquei tão surpreendido, não sabia o que dizer! Ele convidou-me para ir ao Palácio de Belém quando estiver em Portugal», conta Luís.
Mas os telefonemas não ficaram por aqui, o primeiro-ministro português, António Costa, também decidiu contactar Luís Pitarma: «Receber agradecimentos do primeiro-ministro e do Presidente de Portugal em apenas algumas horas, não conseguia acreditar no que estava a acontecer. Aparentemente sou uma espécie de celebridade agora. E isso é óptimo para que haja mais reconhecimento dos enfermeiros que estão no Reino Unido», afirma.
Johnson encontra-se atualmente em convalescença na sua residência de campo em Chequers Court, nos arredores de Londres, desde que recebeu alta, em 12 de abril, do hospital de St. Thomas.
Foi hospitalizado em 05 de abril, de acordo com um comunicado, “por precaução” para fazer testes devido a “sintomas persistentes” da doença, com a qual foi diagnosticado em 26 de março, tendo sido revelado depois que necessitou de apoio respiratório com oxigénio.
Em 06 de abril, passou para a unidade de cuidados intensivos, mas o seu gabinete garante que não foi necessário o uso de ventilador, e regressou à enfermaria normal em 09 de abril.














