Como a tecnologia está a transformar a distribuição farmacêutica

Opinião de Sandra Luís, Quality Assurance and Regulatory Affairs Director na Logista Pharma Portugal

Executive Digest
Fevereiro 3, 2026
11:35

Por Sandra Luís, Quality Assurance and Regulatory Affairs Director na Logista Pharma Portugal

 

Na saúde, cada segundo conta, e cada medicamento importa. Embora muitas vezes invisível ao olhar do doente, a distribuição farmacêutica é um elo crítico na cadeia de valor da saúde. Entre a indústria, os hospitais e as farmácias, existe uma operação altamente complexa que assegura não apenas a entrega de medicamentos, mas também a continuidade terapêutica, a segurança do tratamento e a confiança no sistema de saúde como um todo.

Em momentos de maior pressão, como pandemias, conflitos tais como guerra ou flutuações inesperadas de procura, este papel torna-se ainda mais sensível. A distribuição é chamada a responder com rapidez, resiliência e um rigor absoluto, garantindo que os medicamentos continuam disponíveis quando são mais necessários. Este desafio é especialmente exigente no transporte a temperatura controlada, essencial para preservar a eficácia de muitos medicamentos e produtos hospitalares, onde qualquer desvio pode comprometer a sua utilização.

É neste contexto que a inovação tecnológica se impõe como pilar essencial da distribuição farmacêutica. Nos bastidores da operação, a automatização de armazéns, suportada por robótica e sistemas inteligentes de picking, que permite preparar encomendas com maior precisão, velocidade e fiabilidade, reduzindo erros humanos. Paralelamente, a integração de sistemas de informação como ERP, WMS e plataformas de gestão logística garante uma visibilidade total da operação, desde a saída da fábrica até à chegada à farmácia ou unidade hospitalar, permitindo uma tomada de decisão mais informada e em tempo útil.

Com o apoio de dados em tempo real, é possível antecipar variações de procura, ajustar níveis de stock e mitigar riscos de rutura que possam comprometer a disponibilidade para o mercado e continuidade dos tratamentos. Esta capacidade de planeamento reforça a resiliência da cadeia e melhora a resposta às necessidades dos profissionais de saúde e dos doentes, contribuindo para um sistema mais robusto e preparado para a incerteza.

A segurança do medicamento é, contudo, o eixo central desta evolução. Com a implementação do Sistema Europeu de Verificação de Medicamentos (EMVS), a serialização tornou-se obrigatória, assegurando que cada embalagem é única, rastreável e autenticada ao longo de toda a cadeia. O controlo rigoroso por lote e validade, aliado a tecnologias de rastreabilidade digital, ajuda a prevenir falsificações, erros de dispensa e desvios, reforçando a transparência e protegendo, acima de tudo, o doente.

Olhando para o futuro, a distribuição farmacêutica será cada vez mais integrada com todos os intervenientes da cadeia da saúde. A inteligência artificial e a análise preditiva permitirão não apenas responder à procura, mas antecipar necessidades com maior rigor, incorporando informação clínica, demográfica e de consumo. A colaboração entre indústria, distribuidores e prestadores de cuidados de saúde será reforçada por plataformas digitais partilhadas, capazes de alinhar objetivos, dados e respostas em tempo real. Mais do que uma evolução tecnológica, trata-se de garantir que a inovação logística continua ao serviço da saúde, assegurando que o medicamento certo chega ao doente certo, no momento certo. Num setor onde a confiança é tão crítica quanto a eficiência, a tecnologia assume-se como um aliado indispensável para reforçar a fiabilidade da distribuição farmacêutica e a solidez de toda a cadeia da saúde.

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