Coma sardinha, pela sua saúde: Estudo mostra como alimentação rica em peixes-gordos é chave para manter a saúde do cérebro

Investigação revela que quem consome mais alimentos ricos em ómega-3 apresenta melhores capacidades cognitivas.

Pedro Gonçalves
Outubro 7, 2022
13:13

O consumo dos chamados ‘peixes gordos’ – peixes ricos em ómega-3, como a sardinha, o salmão, o arenque, a anchova, a cavala, a truta, o robalo ou o atum – ou de outras fontes de ácidos gordos ómega-3 (presentes também em algumas nozes, sementes ou frutos secos, como a chia ou a linhaça), ajuda a preservar a saúde do cérebro e a melhorar as capacidades de pensamento da meia-idade, revela um novo estudo norte-americano, agora publicado na revista científica Neurology, da Academia Norte-americana de Neurologia. Caso para dizer que, a sardinha, que não falta à mesa portuguesa, pode revelar-se um aliado poderoso na saúde do seu cérebro, já que é reconhecido como um dos peixes mais ricos em ómega-3: contém mais de 4790 mg de ómega-3 por cada 100 gramas.

Os investigadores observaram que os participantes que tinham níveis mais altos de ómega-3 no sangue entres os 40 e 50 anos apresentavam melhores capacidades cognitivas do que pessoas da mesma idade com níveis mais baixos deste ácido gordo, cujas vantagens do seu consumo para a saúde cardiovascular também são amplamente reconhecidas.

O estudo, que examinou mais de 2200 pessoas entre 40 e 50 anos, com uma idade média de 46 anos, estabelece que o consumo de ómega-3 na meia-idade está diretamente relacionado também com uma melhor estrutura cerebral. Esta verificação, afirmam os investigadores, ganha importância para a velhice, altura em que a saúde do cérebro se revela fator essencial para a qualidade de vida.
A equipa responsável pela investigação comparou os níveis de ómega-3 no sangue com ressonâncias magnéticas e “marcadores cognitivos de envelhecimento do cérebro”. Quem tinha níveis mais altos de ómega-3, apresentava maiores volumes hipocampais, relativo ao hipocampo, parte do cérebro responsável pela aprendizagem e memória.

Assim, os níveis mais altos deste ácido gordo observaram-se proporcionais a um melhor capacidade de pensar, melhor habilidade de entender conceitos complexos ou desconhecidos ou melhor uso da lógica e da razão.

“Estudos observaram esta associação nas populações mais velhas. A contribuição que aqui fazemos é que, mesmo em pessoas mais jovens, se a dieta delas inclui alguns ácidos gordos ómega-3, já estão a proteger o cérebro da maioria dos indicadores de envelhecimento cerebral que observámos em pessoas de meia-idade”, explica ao The Independent uma das responsáveis pelo estudo, Claudia Satizabal, docente no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, nos EUA.

Apesar dos resultados positivos, os investigadores explicam que as conclusões são, para já exploratórias, já que os pacientes estudados não tinham historial de demência e eram todos de meia-idade. Ainda, as associações feitas entre o consumo de ómega-3 e a melhor estrutura cerebral e função cognitiva diferiram mediante o genótipo APOE, gene que é um dos apontados como responsáveis pelo surgimento de demência ou Alzheimer.

“Estudos adicionais em mais populações de meia-idade são necessários para corroborar as evidências encontradas”, termina o estudo.

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