Os Chief Financial Officers (CFOs) estão a abandonar a postura conservadora e a assumir a inteligência artificial (IA) como alavanca estratégica para crescimento, segundo um novo estudo da Salesforce.
A investigação, que inclui dados de Portugal, mostra que a maioria dos líderes financeiros já não vê a IA apenas como uma ferramenta de redução de custos, mas como motor de receita, produtividade e transformação dos modelos de negócio.
Em 2020, 70% dos CFOs globais seguiam uma estratégia conservadora de IA. Hoje, apenas 4% mantêm essa postura, enquanto um terço já adotou oficialmente abordagens arrojadas. O investimento acompanha esta mudança: em média, 25% do orçamento total destinado à IA está agora a ser canalizado para agentes de IA — mão de obra digital capaz de executar tarefas de forma autónoma.
Mais de metade (61%) dos CFOs inquiridos reconhece que estes agentes estão a redefinir a forma como avaliam o retorno do investimento (ROI), indo além das métricas financeiras imediatas e incorporando ganhos de longo prazo, como geração de receita, eficiência e melhoria na tomada de decisão.
“A introdução da mão de obra digital não é apenas uma atualização tecnológica — representa uma mudança estratégica e decisiva para os CFOs”, afirma Robin Washington, President and Chief Operating and Financial Officer da Salesforce. “Com os agentes de IA, não estamos apenas a transformar modelos de negócio; estamos a redefinir o papel do CFO. E isto é algo que exige uma nova mentalidade, que vai além da função de guardiões financeiros, assumindo o papel de arquitetos do valor empresarial orientado por agentes.”
O estudo revela ainda que a grande maioria dos CFOs acredita que os agentes de IA não só reduzem custos, como também impulsionam receitas. Os responsáveis financeiros que já implementaram estas soluções esperam um aumento de quase 20% nas receitas das empresas. Para 72% dos inquiridos, os agentes de IA vão mesmo transformar modelos de negócio, deixando de estar limitados a tarefas rotineiras para assumirem funções estratégicas.
Esta nova abordagem está igualmente a alterar a forma como se calcula o ROI das tecnologias. Se antes o retorno era avaliado sobretudo com base em ganhos imediatos e mensuráveis, agora os CFOs incluem na equação benefícios mais amplos e de longo prazo, como poupança de custos, crescimento das receitas, ganhos de produtividade, maior eficiência, melhorias em risco e compliance, bem como decisões mais informadas.
Apesar do entusiasmo, persistem preocupações. Dois terços (66%) dos CFOs identificam riscos de segurança e privacidade como principal obstáculo à estratégia de IA, enquanto 56% apontam o tempo prolongado até ao retorno do investimento como fator de cautela. Ainda assim, a perceção dominante é de que a IA está a redefinir o papel do CFO: de guardião financeiro a arquiteto de valor empresarial, responsável por integrar inovação e estratégia para garantir crescimento sustentado.




