como o Nimas e o Ideal, em Lisboa, e o Trindade, no Porto, cineclubes e associações, que trabalham, na maior parte das vezes, em articulação com as autarquias proprietárias dos espaços onde é possível exibir.
À Lusa, Nuno Pinto Cardoso, da associação Cinemalua, que promove sessões semanais no Cineteatro Jaime Pinto, em São Brás de Alportel, no distrito de Faro, desdramatiza o momento atual e assinala que a média de espectadores por sessão está estável e, no caso dos cineclubes, até subiu.
“Tenho vontade de acreditar, acredito mesmo que há público, há público para um certo tipo de cinema, que acrescenta alguma coisa”, afirmou Nuno Pinto Cardoso, que se mostra satisfeito com o facto de estar a haver uma discussão sobre o tema porque “mostra o potencial do cinema”.
Na senda das declarações de outros cineclubistas, Tiago Veloso, do Cineclube da Maia, que consegue ter sessões com mais de 150 pessoas, realça que, “nos últimos 10 anos, [há] razão para pensar que o cinema no Porto está a melhorar”, dando os exemplos do Trindade, mas também do Centro de Cinema Batalha, que é camarário.
“Isso dá-nos uma sensação de unidade. Pensar que o Cineclube da Maia é mais um elemento a pensar o cinema no Grande Porto”, afirmou aquele cineclubista, que realça que a ideia de perda de espectadores não os afeta tanto.
“Acho que havia espaço agora, em vez deste drama do fecho dos cinemas, podia ser uma oportunidade de fomentar a rede de cineclubes e associações para outros espaços. […] Há equipamento preparado para receber sessões de cinema, um incentivo à expansão desta rede parecia razoável”, disse o programador Nuno Pinto Cardoso, que sugeriu que o ICA criasse um programa de apoio à exibição intermédio, entre a o Apoio à Exibição em Circuitos Alternativos (com um máximo de 10 mil euros por ano) e o Apoio à Exibição (máximo de 57.500 euros por ano).
Por outras palavras, mas no mesmo sentido, aponta o presidente do Cineclube de Faro, Carlos Rafael Lopes, para quem, “apesar de ser muito preocupante o fecho de salas comerciais, há aspetos positivos”, em particular o facto de haver espaços independentes e públicos a acorrer a uma oferta fora dos ‘cineplexes’.
O dirigente do cineclube que comemora em 2026 os 70 anos classifica de “irrisória” a verba que o ICA destina ao apoio à rede alternativa de exibição “e para aquilo que é o trabalho que os cineclubes fazem”.
Já antes o presidente do Cineclube de Joane, em Vila Nova de Famalicão, afirmara à Lusa que se o ICA triplicasse a verba do seu apoio àquela instituição (de oito para 24 mil euros por ano) seria possível almejar uma sessão de cinema diária.
Sobre este assunto, Costa Valente, de Avanca e da Plano Obrigatório (cuja média de espectadores no Aveirense em 2025 rondou os 100), é perentório: “Acho que as coisas têm de passar pelo ICA, é o braço direito do Ministério da Cultura [nesta área]. Tem aqui uma função absolutamente fundamental. Não pode continuar a dar apoio à produção se depois não dá apoio à exibição. Os filmes têm de chegar ao público senão não existem. Fazer filmes para passar nos festivais é muito giro, mas vale zero, se depois não podem passar no país inteiro”.








