«E se acordasse amanhã, e não houvesse políticos?»: a pergunta é feita num grande cartaz afixado no inicio do mês na zona do Campo Pequeno, em Lisboa. O outdoor da autoria do Movimento Gente, criado há cerca de um ano pelo tenente-coronel aposentado Pedro Tinoco de Faria, que é assumidamente de direita e que pensa haver mais razões hoje para um golpe de Estado militar do que antes do 25 de Abril, revela o “Expresso”.
Em declarações ao “Expresso”, o tenente-coronel reformado explica que o movimento, ainda em fase embrionária, mas que já cotna com cerca de mil seguidores nas redes sociais – sobretudo pessoas «cansadas do sistema» -, é extra-partidário. A ideia de criar o movimento, que diz ser aberto a toda a sociedade e não ao espaço da esquerda ou da direita, é «moralizar a sociedade» e apresentar uma alternativa com políticas públicas e líderes «mais competentes» com vista à felicidade e ao bem-estar dos cidadãos.
«Consideramos que a classe política tem conduzido ao declínio civilizacional e não ao progresso. Por isso, propomos que a classe política corrupta e maçónica seja substituída por servidores da nação competentes e ajuramentados com base na literacia política e na meritocracia», afirma Pedro Tinoco de Faria. E acrescenta: «A ideia de [criar este movimento] partiu da enorme vergonha em que vivemos actualmente quando, por exemplo, se recorre à ideologia de género e ao clima para distrair a sociedade dos outros problemas. Há uma enorme apatia. Portugal está num pântano e precisa de mudar».
O semanário adianta ainda que, nesta altura, o movimento está a apelar a especialistas de várias áreas, nomeadamente Educação, Saúde, Justiça, Segurança, Defesa, Trabalho, Economia, Finanças, Transportes, Ambiente, Território, Autarquias, para contribuírem para a coordenação das propostas políticas.
Tinoco de Faria adianta também que o futuro poderá passar pela criação de um partido político. Já sobre as semelhanças das propostas com o Chega, o tenente-coronel admite que concorda com quase tudo o que defende André Ventura e diz que chegou mesmo a haver uma abordagem por parte de um intermediário que achava que os dois líderes deviam conversar. Mas assegura que, neste momento, pretendem «crescer enquanto Movimento Gente, um movimento aberto a toda a sociedade, que não é rácico, nem homofóbico e baseado numa lista de direitos e deveres».














