Caixa Gestão de Ativos alerta empresas para novo mapa do comércio internacional com menos integração e mais incerteza

A globalização está a atravessar uma fase de profunda reconfiguração, marcada por maior fragmentação, riscos geopolíticos e mudanças estruturais nas cadeias de valor globais. A conclusão é de um comentário de mercados da Caixa Gestão de Ativos, que aponta para o fim da era da hiperglobalização e para um comércio internacional mais seletivo.

André Manuel Mendes
Fevereiro 11, 2026
9:47

A globalização está a atravessar uma fase de profunda reconfiguração, marcada por maior fragmentação, riscos geopolíticos e mudanças estruturais nas cadeias de valor globais. A conclusão é de um comentário de mercados da Caixa Gestão de Ativos, que aponta para o fim da era da hiperglobalização e para um comércio internacional mais seletivo.

Segundo a análise, após décadas de forte integração económica, o impulso globalizador perdeu força depois da crise financeira de 2008, sendo agravado por acontecimentos como o Brexit, as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, a pandemia e a guerra na Ucrânia. Estes choques expuseram fragilidades das cadeias de abastecimento e trouxeram de volta o intervencionismo estatal e o protecionismo.

A Caixa Gestão de Ativos identifica quatro tendências que estão a moldar o atual contexto global: cadeias de valor mais curtas e estratégicas, maior peso dos serviços e produtos digitais no comércio internacional, questionamento do papel do dólar e necessidade de adaptação das instituições multilaterais a um novo equilíbrio económico.

Num ambiente de elevada incerteza, o crescimento económico global deverá situar-se em torno dos 3,3% em 2025 e 2026, abaixo da média histórica. As tensões geopolíticas, a fragmentação comercial e a persistência da inflação em alguns blocos estão a penalizar o investimento e o comércio internacional, dificultando decisões empresariais de médio prazo.

Apesar de os serviços e produtos digitais representarem quase metade do crescimento recente do comércio, a análise alerta que esta transição exige investimentos em educação, conectividade e infraestruturas tecnológicas, ainda desiguais entre países. A perceção pública da globalização também se deteriorou, sobretudo nas economias avançadas, onde o aumento da desigualdade interna tem alimentado pressões protecionistas.

Ainda assim, o documento sublinha que tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, poderão dar um novo impulso à integração económica, embora de forma mais assimétrica e condicionada por fatores geopolíticos. Num mundo mais fragmentado, a resiliência económica dependerá sobretudo da capacidade de inovar, qualificar a força de trabalho e adaptar as estruturas produtivas a um novo modelo de globalização.

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