Randstad: O nosso produto é o talento

A Randstad, líder global na indústria de serviços de Recursos Humanos, mantém a aposta na inovação como forma de acompanhar o mundo do trabalho que continua em constante mutação e com necessidades cada vez mais diversificadas. A aposta na inovação é a responsabilidade das empresas para permanecerem competitivas e colaborarem activamente com uma “pegada” significativa para a sociedade. «Posso identificar dois grandes desafios, se olharmos para a estratégica “tech & touch”, com um desafio tecnológico e outro humano. Começando pelo humano, a escassez de talento é o principal desafio das empresas. Mas as boas notícias são que a solução é clara, é preciso investimento por parte das lideranças. O acesso ao talento é difícil, mas uma estratégia que envolve uma maior transparência, proximidade e equidade pode trazer um contributo mais positivo para este problema real. Do lado tecnológico vejo, sem dúvida, o impacto da inteligência artificial no mundo do trabalho. A AI vai mudar o conceito de produtividade e vai pôr à prova os planos de I&D das empresas. O desafio estará em mantermos o toque humano num processo cada vez mais digital», explica Gonçalo Vilhena, CIO da Randstad Portugal, à Executive Digest.
As ideias podem ser instantâneas, agora pensar que o trabalho para as transformar em produtos de valor acrescentado é instantâneo, é uma falácia. «A inovação é um processo que exige muita disciplina, trabalho árduo e resiliente, e muita persistência para conseguir ultrapassar as diferentes fases de triagem. O “output” do processo de inovação é algo viável, com potencial validado, com segmentos targets validados, mas este “output” para ter impacto tem que se transformar em um produto consumido e executado pela organização, e para isso é necessário gestão da mudança», acrescenta o responsável.
Para uma gestão da mudança eficaz, e rápida, é necessária a liderança certa com o mindset e ferramentas apropriadas. «O que vemos habitualmente, principalmente nas startups tecnológicas, onde o rácio entre turnover / colaboradores é substancialmente inferior, é mais fácil tomadas de decisão e mais rápida a gestão da mudança o que faz com que os ciclos de inovação sejam mais rápidos e curtos», refere Gonçalo Vilhena.
De acordo com a Randstad, o sector onde actua tem sido tradicionalmente pouco tecnológico, mas o ambiente é fantástico, cria a necessidade e um mar de oportunidades. «Nós queremos ser “the worlds most equitable and specialized talent company” e para isso necessitamos de claramente fortalecer as nossas competências humanas, criando uma sensação de maior proximidade, ao mesmo tempo que conseguimos chegar a mais pessoas Tem existido cada vez mais a aposta em soluções “end to end” digitais para sectores e necessidades específicas, que já existiam. As empresas de recrutamento tiveram que se adaptar de forma a continuarem visíveis para os talentos e aqui houve também uma mudança nos canais utilizados. Deixem-me dar um exemplo de um projecto que estou envolvido diz respeito à desmaterialização dos dados relacionados com as nossas carreiras e competências com suporte a uma blockchain pública, permitindo acabar com os silos de informação. Esta abordagem parece efectivamente muito ameaçadora ao “status quo” mas na verdade só vai ajuda a recentrar cada vez mais na relação humana e no potencial e ajuda a atingir o potencial, ao invés da insistente tentativa de monopólio não claro dos dados e canais de emprego», explica o CIO da Randstad Portugal.
A Randstad está na linha da frente nesta inovação e colabora activamente com a Velocity network, organismo que está a tentar criar a “internet das carreiras”. «O nosso produto é o talento, e é um produto particular porque cada peça é única. Não podemos esquecer de que somos um produto dinâmico, e que diversas variáveis como o dinamismo, não estão reflectidas nem no CV nem nas ofertas de emprego. No centro da nossa estratégia está o conceito de empregabilidade constante ao longo da nossa vida, e é para este conceito que eu e nós trabalhamos diariamente na Randstad», sublinha o responsável.

LIDERANÇA E DESAFIOS
Não existe inovação efectiva sem gestão da mudança. A gestão da mudança é feita por pessoas, com pessoas e para as pessoas, pelo que a liderança é o factor que mais influencia a eficácia. A Randstad aposta principalmente na inovação capacitando as lideranças para abraçarem a inovação e desenvolverem e aplicarem a sua liderança ao serviço da gestão da mudança. Exemplos disso são dois programas de formação executiva fornecidos aos líderes da organização, um mais focado no processo de descoberta e mapeamento de estratégia, formação desenvolvida em parceria com a NOVA SBE, bem como o segundo mais focado na liderança e gestão da mudança, liderado pela London Business School.
Para as empresas assegurarem o seu posicionamento e competitividade, devem continuar a apostar no investimento da formação das lideranças capacitando de novas ferramentas de gestão mais actualizadas ao mesmo tempo que capacitamos a nossa força de trabalho com novas skills que lhes permite ir ao encontro das novas necessidades do mercado.
«O reforço nos recursos humanos como consequência à transformação digital é a aposta certa para repensarmos o nosso futuro e o futuro das nossas empresas. As empresas com sucesso são feitas de pessoas, pessoas felizes e produtivas, onde o emprego aumenta substancialmente o sentimento de bem estar», diz Gonçalo Vilhena.
A educação é também um grande factor de sucesso, é com a educação que conseguimos aumentar as nossas skills e com isso aumentar a nossa capacidade de inovar e de entregar mais valor à sociedade. «Já demonstrámos a nossa fantástica capacidade adaptação durante a pandemia, os momentos que aí vêm não serão mais fáceis, mas temos que estar certos de que enquanto continuarmos a investir nas pessoas, os produtos que resolvem problemas vão nascer. Por isso respondendo à pergunta, onde podem as empresas aproveitar este investimento: Focar o investimento nas pessoas», acrescenta o CIO da Randstad Portugal.
A transformação digital acelerou bastante com a pandemia no que diz respeito ao básico. Foram criadas novas ferramentas colaborativas, novas formas de trabalhar, novos canais mais digitais. Num estudo muito relevante sobre o Estado da Nação, feito pela Fundação José Neves liderado pelo Carlos Oliveira, podemos constatar claramente que a educação é fundamental para o desenvolvimento do País. «Portanto, reforçando a importância da questão, o reskilling e upskilling vão ser cada vez mais contínuos e necessários nas nossas vidas do trabalho. Falamos em budgets de investimento para inovação tecnológica nas empresas, falamos de transformação digital. Será possível contribuir para a transformação digital sem investir na formação?», questiona Gonçalo Vilhena.
O estudo da FJN mostra que 48% dos empregadores têm baixas qualificações (3x a média da europa) e que apenas 16% faz esta aposta na formação. Será que não é mais importante falar de budget de upskilling e reskilling de recursos humanos em vez de budget de inovação? «A aposta e investimento em I&D na Randstad tem sido estável e continuada, contudo neste período estamos mais focados na aposta na formação e em ajudar as lideranças e efectivar escalar as experiências que levamos a cabo nos últimos seis anos», afirma.
A escassez de talento segundo as previsões continuará a ser uma constante nacional e internacional, o que coloca uma pressão enorme na capacidade de automatizar e tornar mais produtivo o nosso capital humano. «Adicionalmente, com uma potencial ameaça de crise, é possível começar a verificar um “shift” do foco da inovação vindo do desenvolvimento de novos produtos e novos serviços para um foco centrado mais em optimização de processos e abordagens internas. Com esta abordagem será possível prestar os mesmos serviços e produtos a um valor mais competitivo e com isso criar diferenciação.Capacitar a empresa num processo extremamente rigoroso e mensurável, é crucial para o sucesso das áreas de I&D, garantindo que estamos sempre a dirigir os investimentos para os “alvos” com maior potencial. O grande desafio nestes “shifts” que surgem naturalmente por ciclos, é a garantia da capacidade de nunca perder o foco no mercado e no cliente», destaca Gonçalo Vilhena.
Deste modo, capacitar a empresa num processo extremamente rigoroso e mensurável, é crucial para o sucesso das áreas de I&D, garantindo que estão sempre a dirigir os investimentos para os “alvos” com maior potencial. O grande desafio nestes “shifts” que surgem naturalmente por ciclos, é a garantia da capacidade de nunca perder o foco no mercado e no cliente.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Inovação”, publicado na edição de Fevereiro (n.º 203) da Executive Digest.




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