A Europa deverá liderar o crescimento das despesas globais com a defesa na próxima década, com um orçamento estimado em 1,2 biliões de dólares em 2035, de acordo com o relatório Global Military Aircraft Fleet and Sustainment Outlook 2026–2036, da consultora Oliver Wyman.
Num contexto de maior instabilidade geopolítica, o estudo prevê que os gastos globais com defesa cresçam 6,7% até 2035, com a Europa a destacar-se através de um aumento médio anual de 7,8% entre 2025 e 2035, partindo de cerca de 571 mil milhões de dólares.
Este ciclo de investimento terá impacto direto na indústria aeronáutica e de defesa. A frota militar mundial deverá crescer de 44.700 aeronaves em 2026 para cerca de 50 700 em 2036, com a Europa a concentrar mais de 110 mil milhões de dólares em entregas de novas aeronaves militares entre 2025 e 2032, um aumento de 20% face à década anterior.
O aumento da utilização das frotas está também a impulsionar o mercado de manutenção, reparação e revisão (MRO), cuja procura deverá crescer cerca de 1% ao ano, sobretudo no segmento de motores, refletindo a entrada em serviço de plataformas mais complexas, como o F-35.
Paralelamente, os orçamentos europeus começam a acomodar investimentos em programas de nova geração, como o Future Combat Air System e o Global Combat Air Programme, enquanto os sistemas não tripulados ganham peso. Segundo a Oliver Wyman, as entregas globais de drones militares de grande porte deverão crescer 10% ao ano na próxima década, alterando gradualmente os modelos operacionais e de sustentação.
“A Europa entra num novo ciclo de investimento que coloca forte pressão sobre a indústria de defesa”, diz Carlos García Martín, partner da Oliver Wyman. “Capacidade produtiva, cadeia de fornecimento e talento técnico serão fatores críticos para responder à procura até 2032.”




