As mentiras contadas por Donald Trump em 2019 (uma por cada mês)

(Re)leia as mentiras deliberadas, ou não, do líder da Casa Branca, mês a mês.

Executive Digest
Janeiro 2, 2020
16:49

Só em 2019, o número de declarações falsas feitas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá andar perto das três mil no terceiro de quatro anos de um mandato ensombrado pelo processo de destituição, avança a “CNN”.

(Re)leia as mentiras deliberadas, ou não, do líder da Casa Branca, mês a mês:

Janeiro

Na convenção do American Farm Bureau Federation organização que representa empresas do sector agrícola, a 14 de Janeiro, Donald Trump reafirmou a ideia de construir um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, uma das bandeiras da sua campanha eleitoral. Disse que o tráfico humano é feito com mulheres presas com fita adesiva. «Eles [traficantes] prendem as bocas das mulheres, os seus cabelos, as mãos por trás das costas, e as suas pernas. Põem-nas nos bancos de trás dos carros e vão. (…) Eles entram pelas fronteiras onde não temos barreiras ou muros», referiu.

No entanto, especialistas em tráfico humano explicam que a maioria das vítimas entram legalmente nos Estados Unidos.

 

Fevereiro

Questionado sobre um caso de fraude eleitoral na Carolina do Norte, que levou à repetição da votação de 2018 e da condenação de um funcionário do Partido Republicano, Leslie Dowless Jr., o presidente norte-americano defendeu que condena «qualquer fraude eleitoral». De seguida, lembrou o que aconteceu na Califórnia, nas eleições de 2016, em que foi eleito, mas perdeu naquele estado. «Como sabe, houve um caso em que encontraram um milhão de votos fraudulentos», disse. A alegação foi desmentida pela jornalista e Trump fugiu a mais comentário com um «com licença». Até hoje, não foi provada qualquer fraude na contagens dos votos.

 

Março

Trump disse que estava «a brincar» durante a campanha de 2016, quando pediu à Rússia para descobrir novos e-mails de Hillary Clinton, a candidata democrata de quem se descobriu ter enviado mensagens de um servidor pessoal enquanto era secretária de Estado. O Presidente norte-americano chamou-lhe fake news: «Se contar uma piada, se for sarcástico, se estiver a divertir-se com o público, se estiver na televisão ao vivo para milhões de pessoas e 25 mil pessoas num recinto e disser algo como: ‘Rússia, por favor, se puder, envie-nos os e-mails de Hillary Clinton. Por favor, Rússia. Envie-nos os e-mails. Por favor’ todos se divertem. Eu estou a rir-me, estamos todos a divertir-nos. Depois, vem a “CNN” e outros dizer ‘ele pediu à Rússia para receber os e-mails. Horrível’».

 

Abril

Num congresso republicano, Trump disse: «Se alguém morar perto de uma turbina eólica, parabéns – o valor da sua casa caiu 75%». Uma fonte não identificada terá dito ao líder que as turbinas eólicas fazem «um barulho que provoca cancro». Porém, não há qualquer prova de que isso aconteça.

 

Maio

Trump voltou a insistir na ideia de que foi o criador da uma lei que facilita o acesso a cuidados de saúde a veteranos de guerra, assinada em 2014 pelo então Presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Mais: acusou John McCain, veterano de guerra, de ser incapaz de aprovar um programa como aquele. Apesar de não o ter criado, Trump permitiu expandir e modificar o programa Choice.

 

Junho

A 25 de Junho, dias antes do encontro com o líder norte-coreano Jim Jong-un, Trump referiu-se aos restos mortais dos soldados norte-americanos que combateram na guerra da Coreia e que «estão a voltar». Só que o Pentágono já tinha anunciado a suspensão das devoluções em Maio.

 

Julho

Trump acusou a deputada republicana Ilhan Omar, norte-americana nascida na Somália, de «jurar amor» à organização terrorista responsável pelos ataques do 11 de Setembro, de dançar a comemorar o aniversário desses ataques e de usar a frase «judeus maus». Sabe-se, no entanto, que estas alegações são falsas.

 

Agosto

«Nós não estamos a pagar as tarifas: a China está a pagar as tarifas, pela centésima vez», insistiu, alegou Trump. Mais tarde, as declarações foram desmentidas pelo próprio Presidente norte-americano, que em Setembro adiou a imposição do pagamento dessas tarifas por uma questão de «boa vontade».

 

Setembro

Trump alarmou o Twitter quando escreveu, em letras maiúsculas, que a passagem do furacão Dorian iria ser «mais dura do que o previsto» no Alabama. O Serviço Nacional de Meteorologia do estado respondeu, também na rede social, desmentindo o líder da Casa Branca, que apresentou um mapa adulterado da região.
O furacão Dorian, que passou pelos Estados Unidos e pelo Canadá não teve qualquer expressão no Alabama.

 

Outubro

A afirmação mais repetida por Trump é que o denunciante, cuja queixa motivou o processo de impeachment, actualmente no limbo, estaria a mentir. No entanto, as alegações provaram estar correctas.

Trump é acusado de pressionar o Presidente ucraniano, Volodimir Zelenskii, a quem terá pedido ajuda para prejudicar Joe Biden, vice-presidente na Administração de Obama e um dos favoritos à nomeação democrata para as presidenciais de 2020. A segunda acusação diz respeito à forma como Donald Trump reagiu à abertura do processo de impeachment, a 24 de Setembro, tendo decreta uma total proibição de colaboração da Casa Branca com a Câmara dos Representantes.

 

Novembro

Trump voltou a afirmar, a 22 de Novembro, que não havia militares norte-americanos na Síria, já depois de dizer que não seriam todos a vir embora. Brian Kilmeade, da “Fox News”, questionou: «Mas nós temos lá 600 soldados, certo?». O número estava certo, excepto por outros 100 militares no Nordeste da Síria.

 

Dezembro

A “CNN” defende que Donald Trump mentiu nas referências a electrodomésticos: neste caso, máquinas de lavar a loiça. Trump disse que as mais novas gastam mais água e electricidade.

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