Angola propõe cessar-fogo entre Governo da RDC e M23 a partir de 18 de fevereiro

 

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 11, 2026
22:39

 


 


Luanda, 11 fev 2026 (Lusa) — Angola propôs hoje a entrada em vigor de um cessar-fogo entre o Governo da República Democrática do Congo (RDCongo) e o movimento rebelde M23 a partir das 12:00 do próximo dia 18 de fevereiro.


Segundo um comunicado da presidência angolana, a proposta está pendente de um pronunciamento público das partes sobre a aceitação da data.


A proposta surge na sequência do encontro realizado na segunda-feira, em Luanda, que reuniu o Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, o Presidente da República do Togo, Faure Essozimna Gnassingbé, o Presidente da RDCongo, Félix Tshisekedi, e o ex-Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo.


Luanda informou ainda que o anúncio relativo ao início da fase preparatória do diálogo inter-congolês, a decorrer na capital angolana, será feito “oportunamente”.


Angola tem assumido um papel ativo na mediação do conflito no leste da RDCongo, a par de outros parceiros internacionais, procurando promover uma solução política e o regresso à estabilidade na região, palco de confrontos recorrentes entre as forças governamentais e o grupo armado M23.


Na segunda-feira, Angola foi mandatada para dar início a consultas com todas as partes congolesas interessadas, para a criação de condições e realização do diálogo intercongolês.


A atividade armada do M23 – um grupo constituído principalmente por tutsis vítimas do genocídio ruandês de 1994 -, que, segundo o Governo congolês, tem o apoio do Ruanda, recomeçou em novembro de 2021 com ataques contra o exército governamental no Kivu do Norte, tendo avançado em várias frentes e ameaçando escalar para uma guerra regional.


Angola assumiu inicialmente um papel de liderança central na mediação do conflito no leste da RDCongo, sobretudo a partir de 2022, quando o Presidente João Lourenço foi designado mediador da União Africana para o dossier RDCongo-Ruanda, tornando Luanda no principal palco das negociações regionais.


Com o agravamento da crise e a persistência do conflito, outros parceiros internacionais ganharam protagonismo, em particular os Estados Unidos e o Qatar, que acabaram por formalizar entendimentos específicos — nomeadamente o Acordo de Washington e o Acordo-Quadro de Doha – para promover um cessar-fogo efetivo e criar condições para uma solução política duradoura, assente no respeito pela integridade territorial da RDCongo.


Em dezembro de 2025, o M23 retirou-se da cidade de Uvira, situada nas margens do Lago Tanganica e da fronteira com o Burundi, depois de ter capturado a zona numa rápida ofensiva.


A cidade serviu de sede do governo nomeado por Kinshasa na zona de Kivu do Sul após a queda de Bukavu, a capital provincial.


A ofensiva dos rebeldes na região rica em minerais ocorreu depois de o presidente congolês Félix Tshisekedi e o presidente ruandês Paul Kagame terem assinado um acordo de paz a 04 de dezembro do ano passado em Washington, na presença do homólogo norte-americano, Donald Trump.


Apesar de firmado o acordo Kinshasa e Kigali têm-se acusado mutuamente de violar o acordo de paz.


Desde 1998 que o leste da República Democrática do Congo enfrenta conflitos provocados por grupos rebeldes e pelo Exército, apesar da presença da missão de manutenção da paz da ONU.


 

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