Por Fernando Carvalho, Administrador na UNICRE
Portugal é cada vez mais um país internacional. Isso vê-se nas ruas, nos hotéis, nos restaurantes, no comércio e nos serviços, onde os negócios portugueses recebem diariamente clientes com hábitos, moedas e expectativas diferentes.
Esta realidade já não é apenas uma característica do turismo. É parte do dia a dia de muitos setores da economia nacional e representa uma oportunidade relevante para os negócios portugueses, em particular para aqueles que lidam de forma direta com consumidores estrangeiros.
Segundo dados do Travel BI, do Turismo de Portugal, em 2025 registaram-se mais de 200 milhões de transações com cartões estrangeiros em Portugal, num volume de compras superior a 8 mil milhões de euros. Estes números demonstram bem a importância crescente do consumo internacional para a economia nacional e, em particular, para setores como o turismo, a restauração, o alojamento, o retalho e os serviços.
Este crescimento traz oportunidades, mas também responsabilidades.
Quando um consumidor estrangeiro paga em Portugal não está apenas a concluir uma compra. Muitas vezes, há uma pergunta implícita no momento do pagamento: “Quanto é que estou realmente a pagar?”.
Para quem está fora do seu país, a moeda pode ser uma barreira adicional. O valor em euros nem sempre é imediatamente intuitivo, a conversão cambial pode gerar dúvidas e a confirmação da transação pode deixar uma sensação de incerteza.
É aqui que a transparência se torna essencial.
Durante muito tempo, a evolução dos pagamentos foi analisada sobretudo a partir de três dimensões: rapidez, conveniência e segurança. Todos estes fatores continuam a ser essenciais. Mas, num contexto de consumo cada vez mais internacional, há uma outra dimensão que ganha uma importância acrescida: a clareza.
O consumidor quer saber quanto paga, em que moeda paga e qual o valor que será efetivamente considerado na transação. Quando essa informação é apresentada de forma simples e compreensível, a experiência melhora. Quando é ambígua, a dúvida instala-se precisamente quando a relação com o comerciante deveria terminar de forma positiva.
É neste contexto que o conceito de DCC, ou Dynamic Currency Conversion, assume particular relevância.
Este tipo de soluções permite que um consumidor com cartão estrangeiro possa optar por pagar na sua moeda de origem, em vez de realizar a transação na moeda local. A taxa de câmbio e o valor final da compra serão apresentados no momento da compra, antes da confirmação da transação, permitindo uma decisão mais informada.
Esta é uma funcionalidade que já está disponível em grande parte da rede nacional de terminais, contribuindo para uma experiência de pagamento mais clara para clientes internacionais e para uma maior capacidade de resposta dos comerciantes portugueses perante um consumo cada vez mais global.
O DCC não deve, por isso, ser visto apenas como uma funcionalidade técnica. O seu verdadeiro valor está na confiança que ajuda a criar. Ao apresentar a informação de forma clara, dá ao consumidor maior controlo sobre a decisão de pagamento. Reduz a incerteza. Evita surpresas. E transforma um momento muitas vezes automático numa experiência mais informada.
Para quem está a viajar, isto faz diferença. E para quem vende, também.
Num país em que os gastos com cartões estrangeiros representam milhares de milhões de euros, o pagamento não deve ser visto como apenas mais uma etapa operacional. A hospitalidade não se mede apenas pela qualidade serviço, pela experiência do espaço ou pela excelência do atendimento. Mede-se, também, nos pequenos momentos em que conseguimos tornar a vida do cliente mais simples. E, muitas vezes, o pagamento pode ser um desses momentos.
Num ambiente cada vez mais competitivo, em que a experiência do cliente é determinante, cada detalhe conta. E a forma como um negócio gere o momento do pagamento pode influenciar a perceção de profissionalismo, transparência e confiança que deixa junto de quem compra.
O DCC é exemplo desse caminho: não como imposição, mas como opção clara, voluntária e informada para quem paga.
O futuro dos pagamentos não dependerá apenas de transações mais rápidas, mais digitais ou mais seguras. Dependerá, também, da capacidade de gerar confiança em cada decisão. E, muitas vezes




