O comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, afastou o regresso de programas de austeridade, que marcou o último pós-crise, considerando que o acesso ao financiamento está dependente do cumprimento de uma agenda de reformas.
«Não devemos usar a lógica nem as formulações da última crise», defendeu numa entrevista conjunta a vários meios de comunicação europeus, entre os quais o “Jornal de Negócios”, o espanhol “El Mundo” e o alemão “Handelsblatt”. «Esta é uma crise muito diferente, não ligada a esta ou àquela decisão de um determinado país, mas ligada a um choque global e pan-europeu. A actual resposta não seguiu a lógica cultural de há 10 anos. Isto foi tido em conta pela Alemanha e por França na sua proposta conjunta, portanto, a resposta é não», justificou.
Questionado sobre proposta franco-alemã para um fundo de recuperação da União Europeia, Gentiloni crê que «estamos no caminho certo para a definição da proposta que será feita pela Comissão Europeia na próxima semana». No entender do comissário, a posição conjunta da Alemanha e de França «ajuda muito à construção de um potencial acordo». Admite, no entanto, que «persistem posições diferentes», mas convicto de que «a proposta da Comissão será muito sólida e, do lado político, caberá ao Conselho alcançar um consenso».
Referindo-se à Alemanha e França, reforçou que estes países reconheceram que «enfrentamos uma crise muito desafiadora. Há 90 anos tivemos a Grande Depressão, tivemos a Grande Recessão há 10 anos e agora devemos evitar uma grande fragmentação depois desta crise. Merkel e Macron mostraram consciência destes riscos».
Gentiloni ressalvou que, nesta situação «sem precedentes», a Comissão «está a recomendar políticas orçamentais expansionistas a todos os Estados-membros». «E sim, temos reformas nas nossas recomendações, mas pedimos investimento. Pedimos que os países invistam nos respectivos sistemas de saúde porque o que aconteceu foi um grito de alerta», acrescentou.
Sobre se o valor da proposta franco-alemã, de 500 mil milhões de euros, é um montante suficiente, preferiu não comentar. «A Comissão fará uma proposta que não será exactamente igual à proposta franco-alemã», adiantou.
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Press”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 325 mil mortos e infectou quase cinco milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,8 milhões de doentes foram considerados curados.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.













