O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) apontou esta terça-feira que «sente-se alguma retoma de confiança» nesta segunda fase de desconfinamento.
António Saraiva, que falava no final de uma reunião com o primeiro ministro, disse que «aquilo que algumas empresas demonstraram saber fazer, de acautelar a saúde pública com todos os equipamentos de higiene e segurança disponibilizados de acordo com as regras da Direção-Geral da Saúde» faz com que haja uma «confiança gradual que se vai retomando dos consumidores, quer sejam do comércio ou da restauração».
«Os sectores que abriram na primeira fase já deram provas dessa maturidade e dessa confiança aos clientes», frisou, acrescentando que nesta segunda etapa, iniciada ontem, no dia 18 de Maio, «já está em cima da experiência anterior e vem somar confiança».
O líder da CIP tem a expectativa de que «os postos de trabalho que desejamos salvar sejam, de facto, salvos e que as empresas onde são desenvolvidos sejam igualmente salvas». «Esta retoma gradual da confiança é aquilo de que se necessita», defendeu António Saraiva, convicta de que, tendo essa confiança, «os consumidores voltem àquilo que será a nossa normalidade». Para já, «os sinais são positivos», reiterou.
Daqui para a frente, o desafio é «encontrar factores de confiança que suportem essa retoma», considerou ainda.
CIP acredita em entendimento europeu
Questionado sobre o plano franco-alemão anunciado, na segunda-feira, pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, no valor de 500 mil milhões de euros, António Saraiva recorda que a CIP sugeriu «outros valores», sem precisar quais. «Desejaríamos que fosse maior», defendeu, sublinhando que «quanto maior o bolo maior a fatia» que caberia a cada um dos 27. Mas, acrescentou, «teremos de viver com aquilo que temos e aproveitar muito bem a repartição que vier a caber a Portugal», isto é, «fazer investimentos produtivos e escolher muito bem onde aplicamos» o dinheiro para colocar o país e as suas empresas «numa rota de competitividade».
Já sobre o «condomínio» europeu de que António Costa falava hoje, referindo-se aos 23 Estados-membros que concordam com esse fundo e quatro contra, ironizou: «A experiência que a União Europeia, apesar da morosidade e dificuldade que nos tem habituado, o que é facto é que as obras nos condomínios são feitas e as decisões acabam por ser tomadas, lamentavelmente tarde algumas delas».
Da União Europeia, António Saraiva disse que o que há a criticar é «a tardia resposta a estes novos problemas», embora a perspectiva da CIP seja de que, neste caso, haverá um entendimento entre os tais «condóminos», independente do valor.
Na ocasião, António Saraiva anunciou ainda que a CIP propôs ao Governo a criação de um fundo com o objectivo de proporcionar a capitalização das empresas. O responsável revelou que estão a ser utilizados «pouco mais de mil milhões de euros dos 6.2 que a linha tem disponível», justificando os números com a burocracia das candidatura às linhas.
«Esperemos que estes mil milhões possam ser rapidamente ampliados, até porque as garantias concedidas já estão perto dos seis mil milhões» e, por isso, «não se compreende que só estejam contratualizados mil milhões». «Não percebemos o que leva a esta pouca expressão (…), mas reconhecemos que houve uma deficiência que a excessiva burocracia, o cuidado e o risco que a banca não quer correr em algumas situações é que justificarão esse pouco montante», apontou António Saraiva, revelando que a CIP ficou responsável por avaliar o que se passa junto da banca e da Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua.
Portugal contabiliza já um total de 1231 óbitos associados à Covid-19 e 29.209 infectados, revela o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.
O país entrou no dia 3 de Maio em situação de calamidade devido à pandemia de Covid-19, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de Março. Esta nova fase prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância activa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.
A pandemia de Covid-19, que teve origem na China, já provocou mais de 318 mil mortos e infectou mais de 4,8 milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de 1,7 milhões de doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
*Notícia actualizada às 17:34





