A agenda petrolífera da Venezuela está a reabrir oportunidades para que as câmaras de comércio e a comunidade lusa façam parcerias para atrair investimentos europeus, segundo a Federação de Câmaras Binacionais de Comércio da Europa (Fedeuropa).
“Neste momento, as nossas expectativas são muito mais positivas devido à agenda petrolífera que está a marcar toda a economia (…). Os empresários têm de ter um pouco mais de paciência, porque os trâmites são lentos, mas as expectativas são muito elevadas, muito renovadas”, disse o presidente da Fedeuropa.
Louis Couseen falava à agência Lusa em Caracas, à margem de um encontro empresarial luso venezuelano que teve lugar no Chuao Business Center com o propósito de “reforçar as relações e a colaboração entre as câmaras de comércio binacionais” locais e “figuras do mundo empresarial e diplomático”.
“A Venezuela tem sido, é e será um país de oportunidades, em particular nestes momentos”, disse.
Louis Couseen frisou que “o petróleo é muito mais do que assinar um contrato (…) é explorar, é arranjar perfuradoras, é subcontratar serviços de geofísica e sísmicos, é contratar pessoal”.
“Neste momento, fala-se muito de memorandos de entendimento no setor petrolífero, mas eu que já trabalhei neste setor sei que o petróleo é muito mais do que assinar um contrato, porque isso vai gerar muita atividade em regiões da Venezuela que estão estagnadas e que merecem que o progresso económico chegue até elas”, disse.
No seu entender, esta é uma área que pode ser aproveitada pela comunidade lusa local, pelo que a Fedeuropa prevê incorporar, na sua próxima direção, um representante da Câmara de Comércio Venezuelana Portuguesa (CavenportVe).
“Os portugueses na Venezuela são muito mais do que uma rede, formam uma malha, estão presentes em muitas atividades e por todo o país, com um grande sentido de nacionalidade e tradição (…). São um fator de desenvolvimento, de aprendizagem, com muita história e com grande respeito pelos valores venezuelanos, ao mesmo tempo que preservam os valores essenciais de Portugal”, disse.
Por outro lado, explicou que a Fedeuropa é uma confederação de federações de câmaras de comércio, que agrupa as organizações bilaterais do espaço económico europeu.
“A Fedeuropa ajuda os empresários a dois níveis (…), nos contactos jurídicos, sociais, económicos e humanitários que as câmaras podem estabelecer no país, e nos contactos com a Comissão Europeia em Bruxelas (…). Ajuda-os a descobrir associações, fontes de tecnologia e vantagens competitivas”, disse.
Louis Couseen sublinhou que “ter acesso à Comissão Europeia, é ter acesso a 28 países de uma só vez, (…) um fator de dinamismo das exportações que é muito importante”.
Questionado sobre a situação em La Guaira, o estado do país mais afetado pelo duplo sismo de 24 de junho último, salientou o papel de Portugal e da comunidade lusa local no apoio aos afetados.
“Uma das primeiras informações de que tomámos conhecimento foi da importante ajuda humanitária prestada pela comunidade portuguesa à Venezuela. Foram importados 300 contentores de ajuda humanitária, cuja distribuição ficou a cargo da Fé e Alegria [ONG católica] (…). A comunidade de empresários portugueses foi uma das primeiras, das mais ativas e das mais eficientes na distribuição de ajuda humanitária à Venezuela”, disse.
Por outro lado, afirmou que a Venezuela está a entrar agora na fase de reconstrução, um desafio que requer coordenação, financiamento, tecnologia e fator humano, “pontos essenciais da comunidade portuguesa”.














