Aberta consulta pública para inscrever Tauromaquia como Património Cultural Imaterial

O instituto Património Cultural abriu a consulta pública para a inscrição das “corridas de toiros em Portugal” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, segundo um anúncio publicado hoje em Diário da República.

Executive Digest com Lusa

O instituto Património Cultural abriu a consulta pública para a inscrição das “corridas de toiros em Portugal” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, segundo um anúncio publicado hoje em Diário da República.

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A consulta pública tem lugar mais de cinco anos depois da abertura do processo, por proposta da Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal, que levou a então Direção-Geral do Património Cultural a solicitar o aperfeiçoamento do pedido já em 2022.

“A Corrida de Toiros é a expressão plena da ‘tauromaquia profissional’, a que representa a tauromaquia na sua forma institucional e se manifesta num conjunto de procedimentos codificados. A sua realização decorre em recintos próprios, as praças de toiros, devidamente autorizados e fiscalizados pela entidade estatal competente”, pode ler-se na breve entrada existente na plataforma MatrizPCI.

A caracterização refere que existem, em Portugal, vários tipos de corridas de toiros, desde a “Corrida de Toiros à Portuguesa”, onde atuam cavaleiros tauromáquicos e forcados e a “Corrida de Toiros a Pé”, composta apenas por “matadores de toiros”, enquanto na “Corrida de Toiros Mista” atuam “cavaleiros tauromáquicos, matadores de toiros ou novilheiros e forcados”.

Já as “Novilhadas” são “espetáculos tauromáquicos onde atuam jovens cavaleiros praticantes e/ou novilheiros, ou seja, os toureiros que ainda não tiraram a alternativa de cavaleiros ou matadores de toiros, que corresponde ao acesso ao escalão máximo nas suas categorias profissionais”.

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“Para além destes, existem outros tipos de espetáculos tauromáquicos, consagrados na Lei, que ocorrem em condições específicas consoante a sua natureza”, acrescenta o mesmo texto.

A consulta pública decorre ao longo de 30 dias e o Património Cultural deverá tomar uma decisão no prazo de 120 dias após o fim desta.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, em 2025, perto de 300 mil pessoas foram a touradas, acima das 244 mil do ano anterior.

Segundo a Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC), em 2025 foram autorizados e realizaram-se 147 eventos desta prática, com atividade em 63 concelhos.

“Em 2025, o número de espetáculos tauromáquicos realizados permaneceu dentro dos valores do ano anterior, mantendo-se, porém, a tendência de diminuição relativamente aos últimos anos”, referiu a IGAC no relatório relativo à atividade tauromáquica.

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Já este ano, depois de uma tentativa que não se concretizou em 2021, o Bloco de Esquerda propôs um projeto de lei para interditar o trabalho e a assistência de menores a estes eventos.

O partido PAN apresentou-se às eleições legislativas de 2025 com um programa no qual defendia a retirada da “lista do Património Cultural Imaterial todas as atividades e espetáculos associados à tauromaquia, ou quaisquer outras associadas ao sofrimento e morte de animais”.

Quer o PAN quer Livre defenderam, nos seus programas eleitorais, a abolição das atividades tauromáquicas.

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