Portugal deverá ter fábrica de drones indianos daqui a 18 meses. Produção será “de A a Z”, admite o CEO

“O investimento já iniciou, já temos uma unidade de manufatura aditiva, estamos a contratar, e procura do espaço para novas instalações”, admite o CEO da Keydef em declarações à Executive Digest.

André Manuel Mendes

A Keydef, divisão de defesa e aeroespacial da bracarense Sketchpixel, já começou a executar o investimento inicial de seis milhões de euros previsto no acordo com a indiana Flying Wedge Defence and Aerospace (FWDA) para a produção em Portugal de sistemas não tripulados. A empresa espera ter equipamentos a sair das suas instalações ainda este ano e prevê concluir o investimento inicial num prazo de 12 a 18 meses.

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“O investimento já iniciou, já temos uma unidade de manufatura aditiva, estamos a contratar, e procura do espaço para novas instalações. Eeste investimento inicial será para realizar no prazo de 12 a 18 meses, mas, como disse, este é apenas o investimento inicial”, revela Miguel Abreu, CEO da Keydef, em declarações à Executive Digest.

Apesar de a nova unidade industrial ainda não estar construída, a empresa pretende começar a finalizar equipamentos em Portugal já em 2026. “Esperamos que ainda em 2026 possamos ter unidades a sair das nossas instalações, ainda que não sejam totalmente fabricadas cá, serão finalizadas em cá. Queremos também fazer ainda este ano ensaios e provas com as Forças Armadas de Portugal”, adianta.

O acordo entre a Keydef e a FWDA prevê a produção em território português da gama de sistemas não tripulados da empresa indiana, abrangendo aplicações de vigilância, defesa aérea, apoio tático e utilização civil. A ambição passa por transformar Portugal numa plataforma industrial para a entrada destes equipamentos nos mercados europeu e internacional.

 

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Braga, Guimarães e Famalicão entre os municípios em análise

A localização da futura unidade industrial deverá ser definida até ao final de outubro ou novembro. Braga, Guimarães, Esposende, Famalicão, Vila Nova de Cerveira e Tomar estão entre os municípios atualmente considerados pela empresa.

“Temos várias possibilidades ainda, é um processo que quero ver encerrado até final de outubro ou novembro… Não queria neste momento fechar a porta de nenhum município, mas alguns podem fazer mais sentido. Braga, Guimarães, Esposende, Famalicão, Vila Nova de Cerveira ou Tomar, são à partida aqueles mais prováveis… mas como disse, ainda nada está decidido”, explica Miguel Abreu.

A decisão terá em conta não apenas os terrenos disponíveis, mas também a proximidade aos centros de decisão da empresa e às universidades, a possibilidade de expansão e a capacidade de atrair talento.

“Os critérios são os normais, como a proximidade dos centros de decisão da empresa, dos centros de conhecimento (universidades), a capacidade de expansão, e capacidade de o local ser atrativo para a captação de talento a nível nacional e internacional”, detalha.

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A implementação da operação deverá contar também com uma equipa enviada pela FWDA para Portugal. “Temos uma equipa que virá nas próximas semanas do nosso parceiro indiano para implementar os processos de uma forma mais célere”, acrescenta.

 

Produção de A a Z em Portugal

A parceria prevê uma participação portuguesa que poderá ser particularmente relevante nos equipamentos destinados a mercados NATO. Segundo o responsável da Keydef, a empresa ficará encarregue da comunicação, eletrónica e inteligência artificial nesses casos, mas a intenção é assegurar uma capacidade industrial completa em Portugal.

“O acordo com os nossos parceiros é claro, a parte da Keydef depende também dos mercados. Para mercados NATO ou que queriam a nossa certificação, ficaremos responsáveis de toda parte de comunicação, eletrónica e IA… mas teremos fábrica de A a Z em Portugal”, afirma.

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Miguel Abreu descreve a relação com a FWDA como sendo de “total cooperação” e antecipa novos projetos para além do atual acordo.

“A relação com e FWDA é excelente e de total cooperação. Este foi apenas o segundo pequeno passo, mas temos um road map extenso, que será apresentado em altura oportuna, para projetos realmente diferenciadores para a economia de defesa europeia. Este projeto é uma espécie de ‘testbed’.”

 

Negociações avançadas no Médio Oriente, África e Ásia

A estratégia de internacionalização dos equipamentos produzidos em Portugal já está a avançar para além do mercado europeu. A Keydef revela estar em negociações avançadas com clientes de diferentes geografias, embora não possa identificar os países envolvidos.

A empresa pretende ainda realizar uma demonstração operacional dos equipamentos durante este ano, tendo em vista os mercados europeus, e avançar com o processo de certificação para cumprir os requisitos NATO.

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“Esperamos fazer uma demonstração operacional dos equipamentos ainda este ano para os mercados europeus e fazer a certificação dos equipamentos para cumprir com os STANG da NATO”, acrescenta.

O objetivo declarado pela empresa é que os equipamentos produzidos em Portugal possam obter certificação NATO, reforçando o acesso aos mercados da Aliança.

 

“Portugal tem toda a capacidade”

Questionado sobre a capacidade de Portugal para passar de consumidor a produtor e exportador de tecnologia de defesa, Miguel Abreu considera que o país dispõe das condições necessárias, embora reconheça a existência de obstáculos, sobretudo de natureza burocrática.

“Claro que Portugal tem toda a capacidade. Na verdade, temos já alguns exemplos dessa capacidade…”, sublinha.

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“Existem alguns obstáculos, principalmente burocráticos. Há sempres possibilidade de melhorar, mas não diria que são impeditivos da evolução do país nesta área… são desafiadores.”

Em paralelo com o acordo industrial com a FWDA, a Keydef está a desenvolver com a Universidade do Minho o KX-7 Shadow, uma plataforma aérea não tripulada de nova geração concebida em Portugal. O projeto envolve ainda a FWDA e o engenheiro Tom Leite e prevê o desenvolvimento de um UAV com 100 horas de autonomia.

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