Chega à reforma com 142 dias de férias por gozar. Em vez de os aproveitar, decide oferecê-los aos colegas

A médica italiana decidiu entregar todos esses dias a um fundo de férias solidárias, permitindo que sejam utilizados por colegas que precisem de se ausentar do trabalho perante situações pessoais particularmente delicadas

Francisco Laranjeira

Depois de quase quatro décadas a trabalhar em medicina de emergência, Marialuisa Ferramosca chegou aos 67 anos com uma quantidade invulgar de férias acumuladas: 142 dias. Quase cinco meses de descanso que nunca chegou a utilizar.

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Poderia tê-los aproveitado antes de abandonar definitivamente o hospital. Escolheu fazer outra coisa.

A médica italiana decidiu entregar todos esses dias a um fundo de férias solidárias, permitindo que sejam utilizados por colegas que precisem de se ausentar do trabalho perante situações pessoais particularmente delicadas, segundo o ‘Terra.com.br’.

O exemplo mais evidente é o de trabalhadores que necessitem de tempo para acompanhar filhos com problemas graves de saúde.

Ferramosca não escolherá quem recebe os seus 142 dias. O saldo será integrado no sistema existente na unidade de saúde e posteriormente redistribuído entre os profissionais que cumpram os requisitos.

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É assim que termina uma carreira iniciada há quase 40 anos: oferecendo aos colegas aquilo que lhe faltou tantas vezes ao longo da sua própria vida profissional — tempo.

Quase cinco meses de férias ficaram por gozar

Marialuisa Ferramosca deixa o serviço a 30 de setembro e passa oficialmente à reforma no dia seguinte, 1 de outubro.

Os 142 dias que acumulou serão recalculados e incorporados no “fondo di ferie solidali”, o fundo de férias solidárias da ULSS 2, mecanismo destinado a apoiar trabalhadores confrontados com circunstâncias pessoais que exigem períodos de ausência.

Em vez de desaparecerem com o final da carreira da médica, os dias poderão assim transformar-se em tempo disponível para outros profissionais.

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Ferramosca trabalhou durante décadas num contexto em que o tempo assume uma importância particular: as urgências médicas.

Uma carreira passada nas urgências

A médica começou a trabalhar no Hospital Ca’ Foncello, em Treviso, em 1988, um ano depois de concluir o curso de Medicina.

Iniciou o percurso como cirurgiã de emergência, especializou-se em Cirurgia Geral e posteriormente em Anestesiologia e Reanimação.

Em 1999 passou a integrar o SUEM 118, o serviço de emergência médica da região. Quase quatro décadas depois de ter começado a trabalhar no hospital, chega agora à reforma com meses de descanso acumulados.

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Mas aqueles 142 dias não serão utilizados para antecipar o fim da carreira.

Serão deixados para quem ainda permanece no serviço e possa vir a precisar deles.

Uma decisão que transforma aquilo que era apenas um saldo administrativo de férias num recurso muito mais concreto: dias em que um trabalhador poderá estar junto da família precisamente quando mais precisa.

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