Comprar casa em casal pode permitir ter acesso a um imóvel que seria difícil comprar sozinho. Mas também significa assumir, a dois, uma decisão financeira que pode durar várias décadas. E muitos dos problemas não começam na prestação.
Antes de avançar, é importante perceber quanto cada um pode suportar, como ficará definida a propriedade do imóvel e de que forma serão repartidos os novos encargos. Ignorar estas questões pode criar problemas durante a compra ou muitos anos depois.
Conheça os sete erros que deve evitar ao comprar casa em casal.
1- Não conhecer a situação financeira do outro
Avançar para uma compra sem conhecer em detalhe a situação financeira do outro elemento do casal pode criar dificuldades logo na análise do crédito. O banco tem em conta os rendimentos dos dois titulares, mas também os encargos existentes e a capacidade financeira de cada um.
Por isso, antes de procurar casa, os rendimentos, as poupanças, os créditos em curso, outras dívidas e as principais despesas devem ser conhecidos por ambos. Só assim é possível definir um orçamento realista e perceber até que valor faz sentido avançar.
2 – Ignorar o impacto do regime do casal na propriedade
O regime de bens do casamento influencia a forma como o imóvel integra o património do casal. Já na união de facto não existe um regime matrimonial de bens, pelo que importa perceber como ficará registada a propriedade.
Ignorar estas diferenças pode criar problemas numa separação ou partilha futura. Antes da escritura, deve ficar claro quem será proprietário do imóvel e, quando aplicável, em que proporção.
3 – Dar entradas diferentes sem discutir o impacto dessa diferença
Nem sempre os dois elementos do casal chegam à compra com o mesmo valor disponível para a entrada. Um pode investir 40.000 euros e o outro 10.000 euros.
Se esta diferença for ignorada no momento da compra, pode tornar-se uma fonte de conflito caso seja necessário vender ou dividir o imóvel no futuro.
Quando a situação jurídica permite definir quotas diferentes de propriedade, nomeadamente entre pessoas não casadas ou casadas em separação de bens, as diferenças podem ficar refletidas nas percentagens de aquisição na escritura. O essencial é que o tema seja discutido antes e que ambos saibam o que ficou acordado.
4 – Não combinar como serão divididos os novos encargos
A prestação do crédito é apenas uma das despesas que surgem com a compra de casa. Seguros, condomínio, impostos, manutenção, reparações e contas correntes também passam a pesar no orçamento.
Se a forma de dividir estes encargos não for discutida antecipadamente, podem surgir desequilíbrios ou conflitos mais tarde.
O casal pode dividir tudo a 50%, repartir as despesas de forma proporcional aos rendimentos, atribuir diferentes encargos a cada elemento ou escolher outro modelo. O essencial é definir desde o início quem paga o quê e rever o acordo se a situação financeira mudar.
5 – Escolher a casa pelo máximo que dois salários permitem pagar
Dois rendimentos podem aumentar a capacidade de financiamento, mas usar essa margem até ao limite deixa o orçamento mais vulnerável. Basta um rendimento baixar ou surgir uma nova despesa para a prestação pesar demasiado.
Por isso, o valor aprovado pelo banco não deve ser confundido com o que o casal consegue pagar com conforto. O orçamento deve deixar margem para poupança e imprevistos.
6 – Escolher um seguro de vida a 50% apenas porque é mais barato Num crédito habitação com dois titulares, uma cobertura de 50% pode reduzir o prémio do seguro de vida. No entanto, se ocorrer uma morte ou uma situação de invalidez abrangida pela apólice, apenas metade do capital em dívida fica coberta. A restante dívida continua por pagar.
Antes de escolher esta opção, importa avaliar o impacto no orçamento a longo prazo. Se um dos titulares deixar de contribuir financeiramente, é preciso perceber se o outro conseguiria continuar a suportar a dívida restante, sobretudo quando existe uma diferença entre rendimentos.
7 – Pensar que, se a relação terminar, basta um ficar com a casa
Uma separação não retira automaticamente um dos titulares do crédito habitação. Mesmo que a casa fique para uma pessoa, ambos continuam responsáveis perante o banco enquanto o contrato não for alterado.
A solução passa por pedir a exoneração de um dos titulares, que depende da aprovação do banco e da capacidade financeira de quem fica com o empréstimo. Sem essa alteração, sair da casa não significa sair da dívida.













