A campanha de imunização das crianças contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) arranca esta quarta-feira em Portugal com uma novidade importante: o período de elegibilidade foi alargado e passa a abranger todas as crianças nascidas entre 1 de abril de 2026 e 31 de março de 2027.
A imunização é voluntária e gratuita e pretende reduzir o risco de doença grave, bronquiolite, pneumonia e hospitalização provocadas pelo VSR, uma das principais causas de infeções respiratórias graves nos primeiros meses de vida.
Afinal, é uma vacina?
No caso dos bebés, não se trata tecnicamente de uma vacina.
A campanha utiliza o nirsevimab, um anticorpo monoclonal que fornece diretamente anticorpos à criança, conferindo aquilo a que se chama imunidade passiva.
Numa vacina, pelo contrário, é estimulado o próprio sistema imunitário para produzir anticorpos.
Que bebés estão abrangidos?
A campanha decorre entre esta quarta-feira e 31 de março de 2027.
São elegíveis todas as crianças nascidas entre 1 de abril de 2026 e 31 de março de 2027.
Estão ainda abrangidos bebés prematuros até às 33 semanas e seis dias de gestação nascidos entre 1 de janeiro e 31 de março deste ano, caso não tenham sido anteriormente imunizados, e crianças com determinados fatores de risco acrescido para doença grave que entrem na segunda época sazonal de VSR e ainda não tenham completado 24 meses em 30 de setembro.
Onde é feita a imunização?
Os bebés que nascerem a partir desta quarta-feira poderão receber o anticorpo ainda na maternidade, incluindo nos setores público, privado e social que cumpram os requisitos definidos.
As crianças nascidas entre 1 de abril e 15 de setembro serão chamadas aos cuidados de saúde primários.
Nos casos de prematuridade ou de outros fatores de risco previstos pela DGS, a imunização poderá decorrer nos cuidados de saúde primários ou em meio hospitalar.
Porque preocupa tanto o VSR?
O Vírus Sincicial Respiratório é extremamente comum em idade pediátrica e circula sobretudo entre outubro e março.
Embora possa provocar sintomas semelhantes aos de uma constipação, nos bebés mais vulneráveis pode evoluir para bronquiolite ou pneumonia e levar ao internamento hospitalar. O risco de doença grave é particularmente elevado nos primeiros meses de vida, nos prematuros e em crianças com determinadas doenças crónicas.
A estratégia procura, por isso, proteger as crianças antes do período de maior circulação do vírus e, simultaneamente, reduzir a pressão exercida pelas infeções respiratórias sobre urgências e hospitais durante o outono e o inverno.
A principal diferença este ano está precisamente no número de bebés que podem beneficiar dessa proteção: desaparece a anterior janela em que algumas crianças ficavam fora dos critérios e a campanha passa a abranger todas as nascidas entre abril deste ano e o final de março de 2027.













