WhatsApp é a principal porta de entrada para fraudes por mensagem em Portugal: 28% já foram vítimas três ou mais vezes

Mais de um quarto dos consumidores portugueses inquiridos, 28,28%, afirma já ter sido vítima deste tipo de fraude três ou mais vezes.

Executive Digest

As fraudes através de mensagens estão a tornar-se recorrentes entre os portugueses e a abalar a confiança nas comunicações enviadas pelas próprias marcas. Mais de um quarto dos consumidores portugueses inquiridos, 28,28%, afirma já ter sido vítima deste tipo de fraude três ou mais vezes, enquanto 58,57% dos ataques relatados começam através do WhatsApp.

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Os dados constam do estudo “The Great Messaging Heist”, da Kaspersky, que analisou a utilização de mensagens fraudulentas nas quais os criminosos se fazem passar por marcas conhecidas. Em Portugal, a usurpação da identidade de marcas através deste método representa 17,13% das fraudes indicadas pelos participantes, surgindo entre os três tipos mais comuns.

Segundo a Kaspersky, os cibercriminosos estão a conseguir reproduzir de forma cada vez mais convincente a identidade das empresas e a recorrer à inteligência artificial para aumentar a escala e sofisticação dos ataques. O resultado é uma crescente dificuldade dos consumidores em distinguir uma mensagem verdadeira de uma tentativa de fraude.

99% deixam de confiar nas notificações depois de serem vítimas

As consequências estendem-se muito além do momento em que ocorre o ataque. Entre os consumidores que foram vítimas de fraude, 99% dizem deixar de confiar nas notificações que recebem através dos canais de mensagens.

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A sucessão de comunicações recebidas diariamente ajuda a criar um ambiente favorável aos ataques. As mensagens fraudulentas são construídas para transmitir credibilidade e urgência, levando as vítimas a fornecer dados pessoais ou dinheiro.

A repetição é outro dos sinais destacados pelo estudo. Cerca de 28,28% dos portugueses inquiridos dizem ter sido vítimas pelo menos três vezes, havendo casos de pessoas enganadas até cinco vezes. Para a vítima média, o episódio mais recente ocorreu nos últimos seis meses.

Mais de metade das fraudes começa no WhatsApp

O WhatsApp destaca-se como o principal ponto de partida dos ataques relatados pelos portugueses. De acordo com o estudo da Kaspersky, 58,57% das fraudes começam nesta plataforma.

Seguem-se as SMS ou o iMessage, mencionados em 49,40% dos casos, e o Facebook, com 17,53%.

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Os ataques também não ficam necessariamente limitados a uma única plataforma. Quase duas em cada três fraudes, 63%, passam por vários canais antes de as vítimas perceberem o que está a acontecer.

Esta estratégia pode tornar o esquema mais credível e dificultar a sua identificação, uma vez que as comunicações fraudulentas e legítimas surgem nos mesmos espaços e podem utilizar formatos e horários semelhantes.

Robert Siciliano, especialista em segurança e presidente executivo da Protect Now, considera que o crescimento das fraudes de usurpação de identidade de marcas com recurso a inteligência artificial representa uma forma sofisticada de manipulação emocional.

Segundo o especialista, os criminosos exploram a confiança que as pessoas depositam nas empresas com as quais lidam habitualmente, imitando-as e criando falsos alertas ou situações de pressão através das aplicações de mensagens. Mesmo consumidores mais cautelosos podem, desta forma, ser levados a acreditar que estão perante uma comunicação segura.

Siciliano defende que as empresas precisam de evoluir de uma defesa básica para uma estratégia mais proativa, dando aos clientes informação que lhes permita identificar os sinais de uma tentativa de fraude antes de fornecerem dados sensíveis.

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Raiva e frustração permanecem meses depois

O impacto das fraudes não se limita às perdas financeiras ou à exposição de dados pessoais. Entre as vítimas portuguesas abrangidas pelo estudo, 60,96% afirmaram sentir raiva imediatamente após terem sido enganadas, 40,24% referiram frustração e 26,69% disseram sentir-se perturbadas.

Essas reações podem prolongar-se durante meses. Em média, seis meses depois, 51% dos portugueses inquiridos continuavam a sentir a mesma raiva. A frustração permanecia entre 35,06% e 26,29% continuavam a sentir-se perturbados.

A Kaspersky alerta que estas emoções podem acabar associadas à própria marca cuja identidade foi utilizada pelos burlões, prejudicando a sua reputação e dificultando futuras comunicações legítimas com os consumidores.

Dois em cada três acreditam que IA foi usada na fraude

A inteligência artificial está também a ganhar protagonismo nos ataques. Dois terços dos inquiridos, 66%, acreditam que esta tecnologia desempenhou algum papel na fraude de que foram vítimas.

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Entre os portugueses, 29,08% referem ataques com mensagens redigidas através de IA, enquanto 27,09% apontam para a utilização de vozes sintéticas ou conteúdos visuais “deepfake”, concebidos para parecerem naturais.

A mesma tecnologia que as empresas utilizam para melhorar a experiência e a comunicação com os consumidores está, assim, a ser aproveitada pelos criminosos para criar esquemas mais convincentes, adaptáveis e capazes de chegar a um elevado número de potenciais vítimas.

Kaspersky recomenda maior prevenção por parte das empresas

Perante a evolução destes ataques, a Kaspersky defende que as empresas devem reforçar a prevenção, começando pela formação dos consumidores e dos próprios trabalhadores para reconhecerem tentativas de fraude.

A empresa recomenda também que as marcas expliquem claramente aos clientes aquilo que nunca pedirão através de aplicações de mensagens e que encaminhem operações envolvendo dados sensíveis para canais devidamente verificados.

Outra das medidas propostas passa pela utilização de ferramentas capazes de detetar casos de usurpação da identidade das marcas nas redes sociais, plataformas de comércio eletrónico e “dark web”, permitindo identificar e neutralizar conteúdos fraudulentos.

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Segundo a Kaspersky, a formação dos trabalhadores pode igualmente reduzir a exposição das empresas ao fator humano, indicando que 95% dos colaboradores que recebem a sua formação de sensibilização para segurança conseguem identificar ataques de “phishing”.

O estudo foi realizado pela Censuswide para a Kaspersky em abril de 2026 e ouviu 2.806 vítimas de fraudes através de mensagens, entre os 16 e os 61 anos. A investigação abrangeu Portugal, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Grécia, Sérvia, Estados Unidos, Marrocos, Senegal e Costa do Marfim.

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