O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, revelou ter recebido do diretor da CIA um relatório sobre possíveis incidentes nos próximos meses relacionados com a Rússia e defendeu que a Polónia e a Europa devem preparar-se para “vários cenários” no flanco oriental da União Europeia.
O aviso surge depois de dois incidentes registados esta semana junto às fronteiras da Ucrânia com a Moldávia e a Polónia. Segundo noticia a Associated Press (AP), Tusk considera que estes episódios podem antecipar uma intensificação das provocações russas nos pontos de passagem entre a Ucrânia e países europeus.
O primeiro-ministro polaco revelou ainda ter recebido na quinta-feira um briefing do diretor da CIA, Jim Ratcliffe, que esteve recentemente em Moscovo, sobre os riscos colocados pela Rússia na região durante os próximos meses.
“Nas últimas horas, recebi um relatório bastante detalhado diretamente do diretor da CIA sobre possíveis incidentes nos próximos meses”, afirmou Tusk durante um encontro de países da Europa Central e da Irlanda, em Bratislava.
Segundo o chefe do Governo polaco, as informações recebidas indicam que Varsóvia e os restantes países europeus devem estar preparados para “vários cenários” relacionados com a frente russo-ucraniana e com os países situados no flanco oriental da União Europeia.
Tusk antecipa novas provocações nas fronteiras
Na noite de terça-feira, duas pessoas morreram depois de drones russos atingirem a passagem fronteiriça de Starokozache, entre a Ucrânia e a Moldávia.
Já na noite de quarta-feira, uma “ameaça direta” contra um ponto de passagem entre a Polónia e a Ucrânia só terá sido evitada graças à cooperação entre Varsóvia e Kiev, segundo Tusk.
A AP ressalva, contudo, que o primeiro-ministro não revelou mais detalhes sobre este segundo incidente nem apresentou provas de envolvimento da Rússia.
“A Rússia já decidiu realizar ataques provocatórios contra pontos de passagem fronteiriços, por exemplo na Moldávia”, declarou Tusk. “Esperamos ações semelhantes em relação às passagens fronteiriças com a Ucrânia noutros países, incluindo a Polónia.”
A Ucrânia partilha fronteiras com Polónia, Eslováquia, Hungria, Roménia e Moldávia, além da Rússia e da Bielorrússia.
Moldávia regista sucessão de incidentes
A preocupação de Varsóvia surge num momento em que a Moldávia tem registado vários incidentes nas proximidades da sua fronteira sul com a Ucrânia.
A 20 de agosto, uma explosão num parque de estacionamento em território ucraniano, a cerca de 150 metros da passagem fronteiriça de Giurgiulesti, provocou um incêndio de vegetação que acabou por atingir território moldavo. Nesse mesmo dia, a polícia de fronteira encontrou uma cratera na Moldávia, a cerca de um quilómetro da fronteira, onde foram descobertos destroços de um tipo de drone utilizado pela Rússia na Ucrânia.
Um dia depois, a passagem fronteiriça de Mirnoe foi temporariamente encerrada devido a ataques russos nas proximidades, do lado ucraniano.
A 25 de agosto, a Moldávia voltou a suspender a atividade numa passagem fronteiriça, desta vez em Vulcanesti, depois de um drone Shahed, de fabrico iraniano, atingir o lado ucraniano.
Na sequência do incidente desta terça-feira em Starokozache, a Presidente moldava, Maia Sandu, condenou Moscovo e afirmou que a “guerra brutal” da Rússia está a chegar à fronteira do país.
A Roménia também tem registado um aumento deste tipo de episódios. De acordo com a AP, o país reportou este ano quase três vezes mais incursões de drones do que durante todo o ano de 2025 e mais do dobro dos drones e destroços encontrados no seu território.
Diretor da CIA esteve em Moscovo no final de agosto
Tusk tem alertado há várias semanas para a possibilidade de a Rússia realizar, num futuro próximo, uma provocação militar limitada ou uma operação híbrida de maior dimensão contra a Polónia ou contra os países bálticos — Estónia, Letónia e Lituânia.
O primeiro-ministro considera que o relatório que recebeu da CIA reforça esses receios.
Jim Ratcliffe esteve em Moscovo no final de agosto, onde manteve conversações com responsáveis dos serviços de informações russos. Segundo a Associated Press, políticos polacos especularam que uma das matérias discutidas durante esses contactos poderia ter sido uma eventual ameaça da Rússia contra a NATO.
Na terça-feira, Tomasz Siemoniak, ministro polaco responsável pela supervisão dos serviços de informações, reuniu-se também com Ratcliffe na sede da CIA, no estado americano da Virgínia, para discutir a segurança da Polónia e a cooperação com os Estados Unidos.
EUA avaliam locais para base militar permanente
Os alertas surgem ainda numa altura em que os Estados Unidos estão a estudar uma possível presença militar permanente na Polónia.
Uma delegação americana, que inclui William Cappelletti Jr., do Departamento de Defesa, e Thomas DiNanno, do Departamento de Estado, está esta quinta e sexta-feira na Polónia para avaliar vários potenciais locais para uma base militar permanente dos EUA.
A Polónia procura há vários anos acolher uma instalação deste tipo, que considera uma importante garantia de segurança perante a crescente ameaça russa.
Os elevados gastos polacos em Defesa e as grandes compras de armamento aos Estados Unidos levaram a administração de Donald Trump a considerar a instalação de uma base permanente no país, segundo a AP, apesar de Washington estar simultaneamente a reorganizar e reduzir a sua presença militar global na Europa.














