Ceuta: Oposição pede demissão e julgamento do Governo espanhol por “mentira de Estado”

O Partido Popular de Espanha (PP, direita), que lidera a oposição no país, pediu hoje a demissão do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, após a divulgação de documentos com alertas dos serviços de informações sobre Ceuta.

Executive Digest com Lusa

O Partido Popular de Espanha (PP, direita), que lidera a oposição no país, pediu hoje a demissão do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, após a divulgação de documentos com alertas dos serviços de informações sobre Ceuta.

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Já o Vox (extrema-direita), terceiro maior partido no parlamento espanhol, pediu que o Governo seja levado à justiça e julgado por “traição”, ao abrigo do artigo 102.º da Constituição, que regula a responsabilidade criminal dos membros do executivo.

Os serviços de informações de Espanha alertaram Marrocos e o Governo espanhol para “várias convocatórias para levar a cabo entradas em Ceuta” em 30 de julho em grupos nas redes sociais com 180.000 pessoas, segundo documentos conhecidos hoje.

Os avisos foram feitos pelo Centro Nacional de Inteligência (CNI) de Espanha aos serviços de informações de Marrocos, à Delegação do Governo espanhol em Ceuta e a uma unidade de inteligência da Guarda Civil espanhola no dia 29 de julho, véspera da entrada ilegal de mais de 70.000 pessoas na cidade, a nado ou saltando a vedação fronteiriça.

O CNI alertou para “possíveis tentativas de entrada” em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África, durante a semana da Festa do Trono em Marrocos e concretamente no dia 30 de julho, às 20:00.

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Após a divulgação dos documentos, o PP, através da deputada Ester Muñoz, considerou que foi confirmada uma “mentira de Estado” e pediu a demissão de Pedro Sánchez.

A dirigente do PP considerou que o Governo “tinha a informação” e é responsável direto pela “invasão de Ceuta” e pela morte de pelo menos 88 pessoas quando tentavam entrar na cidade autónoma espanhola.

Também partidos da geringonça que viabilizou o atual Governo do socialista Pedro Sánchez, como o Partido Nacionalista Basco (PNV, na sigla em espanhol), a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) ou a Esquerda Unida (IU) consideraram preocupante o conteúdo dos documentos.

Quanto ao Governo, fontes do executivo disseram que mantém que “os documentos publicados mostram que a informação disponível antes da entrada” de mais de 70.000 pessoas em Ceuta de forma ilegal em 30 de julho “não permitia antecipar a magnitude que acabou por alcançar a crise nem dimensionar com antecedência suficiente a resposta necessária”.

Já fontes do CNI sublinharam aos meios de comunicação social que aquilo que os documentos revelam é que os serviços de informações “emitiram informação sobre uma campanha nas redes sociais que apelava a um assalto à vedação de Ceuta”, mas “não antecipou a magnitude e natureza do que acabou por ocorrer no dia 30”, que foi “um fenómeno invulgar que não se assemelha com as crises migratórias conhecidas até agora”.

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O Governo espanhol desclassificou na terça-feira e publicou hoje documentos relacionados com a entrada ilegal de pelo menos 72.000 pessoas em Ceuta no final de julho, tal como prometeu na semana passada o primeiro-ministro.

Pedro Sánchez anunciou a publicação dos documentos num debate parlamentar em que negou haver provas sobre o envolvimento de Marrocos na entrada de dezenas de milhares de pessoas ilegalmente em Ceuta e que o Governo tenha sido alertado com antecedência para uma entrada em massa no enclave com a dimensão que teve.

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