Os exames do 4.º e 6.º ano podem voltar a ter peso na classificação final dos alunos. A hipótese é admitida pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre, depois de os resultados do PISA 2025 mostrarem uma forte quebra do desempenho dos estudantes portugueses a Matemática e Leitura.
Em entrevista ao programa Hora da Verdade, da Renascença e do jornal Público, o ministro classificou os resultados como “desapontantes” e defendeu a necessidade de criar uma maior “cultura de avaliação” nas escolas.
Ministro admite voltar a dar peso aos exames
Questionado sobre os resultados do PISA 2025, Fernando Alexandre reconheceu que a evolução é “obviamente muito preocupante” e admitiu alterações à forma como os alunos são avaliados no final do 1.º e do 2.º ciclo.
Segundo a Renascença, o ministro considera que uma das possibilidades em análise passa por voltar a fazer com que os exames do 4.º e 6.º ano tenham impacto na nota final.
“É uma possibilidade, é algo que temos de analisar”, afirmou Fernando Alexandre, sublinhando que o objetivo deverá passar por “criar uma cultura de avaliação”.
O governante recordou que o atual modelo já prevê uma avaliação no final dos ciclos de aprendizagem. A discussão será agora saber se essas provas devem também voltar a contar para a classificação final.
O que aconteceu aos exames do 4.º e 6.º ano?
Os exames no final do 1.º e do 2.º ciclo foram criados em 2012, mas deixaram de existir três anos depois. Desde então, apenas o exame do 9.º ano se manteve com impacto na classificação final.
As provas de aferição, que não contam para a nota, eram realizadas no 2.º, 5.º e 8.º anos. O atual Governo transformou-as em provas ModA, que voltaram a realizar-se no final dos dois primeiros ciclos do ensino básico.
A diferença é que estas provas continuam sem contar para a avaliação final do ciclo.
PISA mostra retrocesso de 20 anos
A eventual mudança na avaliação dos alunos surge depois de os resultados do PISA 2025 terem revelado uma quebra significativa no desempenho dos estudantes portugueses.
Os dados apontam para um retrocesso de cerca de 20 anos a Matemática e Leitura. Para Fernando Alexandre, a descida é particularmente preocupante.
“Termos caído em termos absolutos é muito mau”, afirmou o ministro, explicando que os resultados dos últimos dois ciclos de avaliação sugerem que os alunos têm menos conhecimentos correspondentes a um ano de aprendizagem.
Na prática, acrescentou, é como se os estudantes precisassem de mais um ano para alcançar as aprendizagens que anteriormente conseguiam obter.
Pandemia e redes sociais também pesam
Fernando Alexandre considera que a descida dos resultados não é exclusivamente portuguesa. Há fatores comuns a vários países da OCDE que podem ajudar a explicar a evolução.
Entre eles estão as consequências da pandemia e as alterações provocadas no funcionamento das escolas durante esse período. O ministro aponta ainda para mudanças no comportamento dos jovens.
As redes sociais são outro dos fatores mencionados. Segundo Fernando Alexandre, existe literatura científica que relaciona estas alterações com a forma como os jovens estudam, nomeadamente a capacidade de concentração e de permanecerem focados na leitura de um texto.
Ainda assim, o ministro reconhece que Portugal enfrenta desafios específicos e defende uma análise “muito cuidada e científica” às razões que explicam a queda dos resultados.














