Donald Trump quer colocar-se no centro da batalha pelas eleições intercalares de novembro nos EUA. Mas alguns candidatos republicanos que enfrentam disputas particularmente apertadas parecem querer exatamente o contrário: referências ao presidente estão a desaparecer discretamente dos respetivos sites de campanha.
Segundo o ‘The Independent’, as alterações surgem numa altura em que Trump apresenta uma taxa de aprovação de apenas 33% na mais recente sondagem ‘Financial Times/Focaldata’, marcada pelas preocupações dos eleitores com a economia e com o impacto da guerra com o Irão nos preços dos combustíveis.
O desconforto dentro do Partido Republicano ficou também patente na convenção dedicada às intercalares que Trump promove esta semana no Texas: pelo menos 45 republicanos do Congresso não deverão participar, assim como Melania Trump.
Trump começa a desaparecer dos sites
Um dos exemplos é Mike Beltran, candidato pelo 14.º distrito congressional da Florida.
Segundo o ‘Washington Examiner’, o seu site afirmava anteriormente que tinha sido inspirado a entrar na política pelo exemplo de Trump. Essa referência desapareceu e foi substituída pela indicação de que se sentiu “chamado ao serviço público”, apresentando-se agora como defensor de custos e impostos mais baixos e de maior acesso aos cuidados de saúde.
No Kentucky, Ralph Alvarado também alterou a apresentação. De acordo com a ‘NBC News’, o candidato, que anteriormente se descrevia como um combatente “America First”, passou a prometer uma “liderança independente”.
E não são casos isolados.
O ‘Washington Post’ identificou outros cinco candidatos republicanos à Câmara dos Representantes, envolvidos em disputas competitivas, que reduziram a associação a Trump nos respetivos sites.
Mike Bouchard, no Michigan, mudou de posição um banner que destacava o apoio do Presidente. Joe Mitchell, no Iowa, deixou de mencionar Trump na secção em que explica por que razão concorre ao Congresso, embora mantenha fotografias com o presidente. Eric Flores, no Texas, Nick Begich, no Alasca, e Elijah Crane, no Arizona, também alteraram referências ao apoio à agenda de Trump.
As campanhas rejeitam, porém, a ideia de que estejam a tentar afastar-se do Presidente.
Um porta-voz de Bouchard garantiu ao ‘Washington Post’ que o candidato continua “orgulhoso” do apoio de Trump e justificou as alterações com a passagem das primárias para a eleição propriamente dita. O responsável pela campanha de Joe Mitchell respondeu que “os sites são atualizados constantemente” e que ninguém tem dúvidas sobre a posição do candidato relativamente a Trump e à agenda America First.
“Ele não pode vir”
Mas existem outros sinais de preocupação dentro do partido.
Segundo o ‘The Independent’, responsáveis por campanhas republicanas já terão pedido à equipa de Trump que o presidente não intervenha a favor de determinados candidatos, por recearem que a sua presença possa acabar por prejudicá-los.
“Dissemos-lhes que ele não pode vir”, afirmou ao Politico um republicano sénior envolvido numa corrida competitiva à Câmara dos Representantes. “Francamente, não seria útil aqui.”
Outro candidato republicano resumiu de forma ainda mais crua o dilema transmitido por sondagens e estrategas: mencionar Trump em excesso pode ser eleitoralmente perigoso, mas afastar-se demasiado também pode significar perder o apoio do Presidente.
Trump quer fazer precisamente o contrário
Trump, porém, não parece disposto a permanecer fora da campanha.
Na semana passada, disse aos convidados de um churrasco no Rose Garden que pretende envolver-se diretamente nos últimos 30 dias antes das eleições.
A questão do dinheiro também tem provocado nervosismo entre os republicanos. Alguns responsáveis do partido estavam preocupados com a relutância do presidente em utilizar os fundos do MAGA Inc. para apoiar candidatos em dificuldades.
O senador John Kennedy chegou a pedir publicamente ajuda para a corrida no Texas, onde o procurador-geral Ken Paxton enfrenta o democrata James Talarico. Segundo o ‘The Independent’, Trump acabou entretanto por disponibilizar apoio, procurando impedir que uma disputa num Estado tradicionalmente republicano se transforme numa vitória democrata.
A pouco tempo das intercalares, o dilema para alguns candidatos republicanos parece, assim, cada vez mais difícil: beneficiar da mobilização da base eleitoral de Trump sem afastar os eleitores de que necessitam para vencer as disputas mais equilibradas.

















