Venezuela: Diáspora quer incluir migrantes no diálogo para transição democrática

Mais de uma centena de organizações da diáspora pediram no sábado ao Governo da Venezuela e à oposição para incluírem os quase 7,8 milhões de venezuelanos radicados no estrangeiro no diálogo para uma transição democrática.

Executive Digest com Lusa

Mais de uma centena de organizações da diáspora pediram no sábado ao Governo da Venezuela e à oposição para incluírem os quase 7,8 milhões de venezuelanos radicados no estrangeiro no diálogo para uma transição democrática.

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O pedido foi feito através de um comunicado conjunto, assinado por 106 organizações da América Latina, América do Norte e Europa, entre elas a “Queremos Volver” de Portugal, no qual defendem ainda a necessidade de garantir o direito à identidade, o acesso efetivo aos serviços consulares e a participação política dos venezuelanos que vivem fora do país.

“Perante a nova iniciativa de diálogo nacional [entre o Governo e a oposição] e o processo de reinstitucionalização que se inicia na Venezuela, pronunciamo-nos publicamente sobre uma preocupação que consideramos fundamental: não é possível consolidar a transição democrática nem reinstitucionalizar o país deixando de fora os milhões de venezuelanos que vivem no estrangeiro”, explicam.

De acordo com as organizações signatárias, “a atenção à diáspora não é uma questão de assistência social nem setorial, mas sim parte constitutiva da reinstitucionalização e da reconciliação nacional”.

“Vemos nesta nova instância uma oportunidade para corrigir esta situação e solicitamos que a participação política da diáspora seja incorporada desde a primeira fase do calendário, e não como um ajuste tardio: uma abertura tardia do registo eleitoral ou requisitos impostos de forma discricionária negariam novamente o exercício deste direito fundamental a milhões de cidadãos”, afirmam.

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O documento precisa que, dos quase 7,8 milhões que vivem fora da Venezuela, “cinco milhões seriam maiores de idade, uma população equivalente a aproximadamente um quarto do Registo Eleitoral nacional”.

No entanto, explicam, nas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, apenas 69.211 pessoas radicadas no estrangeiro estavam habilitadas a votar, o que equivale a 1,4% da população adulta venezuelana que se encontra fora do território nacional.

O comunicado identifica, entre os principais obstáculos, as restrições ao acesso ao registo eleitoral, a imposição de requisitos que excedem o estabelecido na legislação, dificuldades em obter documentos de identidade e uma infraestrutura consular e eleitoral insuficiente face à dimensão atual da diáspora.

As organizações propõem alargar e reforçar a rede consular, segundo a distribuição territorial e as necessidades atuais da população venezuelana no estrangeiro, com a abertura e o reforço de consulados.

Propõem ainda a criação de mecanismos de atendimento consular itinerante, a possibilidade de emitir e renovar o cartão de identidade no estrangeiro e a criação de uma plataforma digital única que facilite os trâmites consulares.

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Além disso, querem ainda o reconhecimento de documentos caducados para determinados procedimentos e a redução das barreiras burocráticas e económicas que atualmente dificultam o exercício do direito à identidade.

Entre as solicitações, está ainda a autorização do recenseamento eleitoral online, a aceitação de diversos documentos de imigração que comprovem a permanência legal nos países de residência, estabelecimento de requisitos uniformes para todos os postos consulares e a publicação, com antecedência, de locais, horários, requisitos e calendários.

Por outro lado, as organizações querem a garantia da não perseguição política, para que os ativistas dos direitos humanos e outros membros da diáspora possam regressar à Venezuela sem o risco de detenções arbitrárias, acusações, retenção de documentos ou represálias, com o acompanhamento de mecanismos independentes de verificação.

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