Trump quer que Europa pague agora pelas armas enviadas à Ucrânia: “Vamos pedir esse dinheiro”

Anúncio surge numa altura em que Washington enfrenta uma pressão crescente sobre os seus próprios arsenais, depois de meses de conflito com o Irão

Francisco Laranjeira

Donald Trump quer que os países europeus reembolsem os EUA pelas armas e munições fornecidas à Ucrânia durante a presidência de Joe Biden. O anúncio surge numa altura em que Washington enfrenta uma pressão crescente sobre os seus próprios arsenais, depois de meses de conflito com o Irão.

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“Centenas de milhares de milhões de dólares foram dados à Ucrânia e à NATO, gratuitamente, que a Europa teria pago — se simplesmente lhe tivessem pedido”, escreveu o presidente dos EUA esta quinta-feira na Truth Social.

“Mas vamos pedir esse dinheiro, embora um pouco tardiamente”, acrescentou Trump.

A intenção foi avançada pelo ‘POLITICO’, embora não esteja ainda esclarecido quanto pretende Washington reclamar aos aliados europeus, a que países seria apresentada essa conta ou que parte da ajuda militar fornecida durante a Administração Biden estaria abrangida.

Trump culpa Biden

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Os EUA enviaram dezenas de milhares de milhões de dólares em assistência militar a Kiev desde o início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.

Trump criticou repetidamente essa política durante a campanha presidencial e depois do regresso à Casa Branca, defendendo que os aliados europeus deveriam assumir uma parcela maior dos custos associados à defesa da Ucrânia.

O modelo de apoio mudou já durante a atual Administração. Washington e os aliados europeus chegaram em 2025 a um mecanismo através do qual países europeus financiam a aquisição de armamento dos EUA destinado à Ucrânia.

Guerra com o Irão está a consumir arsenais

O anúncio surge num momento particularmente sensível para as reservas militares dos EUA.

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O conflito com o Irão entrou no sétimo mês e obrigou as forças dos EUA a utilizar grandes quantidades de alguns dos seus sistemas de defesa aérea mais sofisticados.

Segundo estimativas do Center for Strategic and International Studies (CSIS), as reservas de intercetores Patriot encontravam-se, no final de julho, abaixo das mil unidades. No caso dos intercetores THAAD, o arsenal rondaria apenas 250 unidades.

O próprio CSIS considera que a campanha contra o Irão colocou uma pressão sem precedentes sobre alguns dos principais arsenais dos EUA e alerta que a reposição de determinadas munições poderá demorar vários anos.

A Ucrânia não é, contudo, a única explicação para a situação. Uma análise do CSIS sublinha que a guerra com o Irão é atualmente um dos principais fatores por detrás da escassez, juntamente com limitações industriais e outros problemas estruturais. Dos 102 tipos de material fornecidos pelos EUA à Ucrânia analisados pelo centro, apenas quatro foram também utilizados na campanha aérea contra o Irão.

“Temos quantidades praticamente ilimitadas”

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Trump rejeita, porém, a ideia de que os EUA estejam perto de ficar sem munições.

O presidente garantiu que o país dispõe de “quantidades praticamente ilimitadas de munições de médio e alto nível” e acusou os meios de comunicação que noticiam problemas nos arsenais de divulgarem informação falsa.

Trump afirmou ainda que os EUA estão atualmente a reter armamento para reconstruir as suas próprias reservas, em vez de o venderem a outros países, garantindo que as vendas aos aliados deverão ser retomadas posteriormente.

A realidade das reservas é mais complexa. O CSIS estima que a guerra com o Irão tenha reduzido significativamente os stocks de vários sistemas considerados essenciais e alerta para potenciais consequências na capacidade dos EUA perante um eventual conflito futuro no Pacífico.

É neste contexto que Trump pretende agora olhar para trás e apresentar uma conta à Europa pela ajuda militar concedida à Ucrânia durante a Administração Biden. O valor dessa fatura — e sobretudo a reação das capitais europeias à exigência de Washington — permanece, por enquanto, por conhecer.

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