A digitalização e a implementação de inteligência artificial estão a ganhar um peso cada vez mais próximo da expansão de mercado nas prioridades das empresas portuguesas, num sinal de que a tecnologia passou a ocupar uma posição central nas decisões de crescimento e transformação dos negócios.
A leitura é de Luís Lopes, CEO da Vodafone, a propósito dos resultados da XLIX edição do Barómetro da Executive Digest. O responsável destaca a proximidade entre duas das principais prioridades identificadas pelos líderes empresariais: a expansão do mercado e a digitalização e implementação de IA.
Para Luís Lopes, esta aproximação mostra que os decisores estão cada vez mais conscientes das potencialidades da tecnologia para transformar as empresas e apoiar o crescimento da atividade.
Empresas mantêm investimento apesar da confiança moderada
Os resultados do Barómetro revelam também um contraste entre a avaliação feita à economia portuguesa e as intenções das próprias empresas.
Embora a grande maioria dos líderes empresariais manifeste apenas um nível moderado de confiança na economia, cerca de 90% dos inquiridos antecipam manter ou aumentar até 20% o investimento e a atividade de negócio durante o segundo semestre.
Luís Lopes considera este resultado revelador da resiliência do tecido empresarial português, que mantém planos de investimento e atividade apesar de um enquadramento económico marcado pela prudência.
Digitalização e IA aproximam-se da expansão de mercado
Entre as prioridades empresariais, a expansão do mercado continua a assumir um papel relevante, mas a digitalização e a implementação de inteligência artificial surgem com um peso estratégico muito semelhante.
Na análise do CEO da Vodafone, estas duas dimensões estão diretamente relacionadas, uma vez que as tecnologias podem desempenhar um papel importante tanto na transformação como no crescimento dos negócios.
Os resultados mostram, assim, empresas que associam cada vez mais a estratégia de expansão à capacidade de digitalizar operações e incorporar novas tecnologias.
Fiscalidade e burocracia continuam no diagnóstico das empresas
Na relação com o Estado, Luís Lopes considera que os resultados não trazem grandes surpresas.
Com o Orçamento do Estado para 2027 no horizonte, a fiscalidade e a burocracia continuam a surgir como os principais pontos fracos da competitividade das empresas portuguesas.
Os gestores defendem reformas nas áreas da desburocratização, da habitação e da redução da carga fiscal, num conjunto de preocupações que permanece presente nas avaliações feitas ao enquadramento económico nacional.
Um terço considera insuficiente a preparação de Portugal
As reservas dos empresários tornam-se também visíveis quando avaliam a capacidade do país para responder aos desafios futuros.
Segundo os resultados analisados por Luís Lopes, cerca de um terço dos entrevistados considera ainda insuficiente o nível de preparação de Portugal para enfrentar os desafios económicos e estruturais.
O Barómetro revela, assim, empresas que continuam disponíveis para investir e desenvolver a atividade, ao mesmo tempo que atribuem um peso crescente à transformação tecnológica e mantêm uma avaliação crítica sobre algumas das condições estruturais da economia portuguesa.
Este testemunho de Luís Lopes, CEO da Vodafone, foi publicado na edição de agosto, n.º 245, da Executive Digest, no âmbito da XLIX edição do seu Barómetro.














