O presidente executivo (CEO) da NOS admite, em entrevista à Lusa, que toda a promessa que a tecnologia 5G tinha associada não se materializou, pelo que considera prematuro falar já em 6G.
“Chegados a este ponto, temos que reconhecer alguma frustração, aquilo que eram as promessas de 5G há cinco, seis anos, toda a promessa que a tecnologia tinha associada não se materializou”, afirma Miguel Almeida.
“Essa é que é a verdade, vamos ser realistas”, enfatiza.
O 5G “hoje está a ter um papel muito menos disruptivo do que aquilo que se acreditava que ia ter” e “não estou a falar de Portugal”, sublinha.
Ou seja, “é uma tecnologia que ainda não materializou nenhuma disrupção muito grande para o consumidor, seja individual, seja às próprias empresas e, nesse contexto, falar de 6G é um bocadinho prematuro porque ainda há todo um potencial no 5G que está a materializar-se”, argumenta.
Questionado se vai materializar-se e quanto, Miguel Almeida diz querer “acreditar que sim”.
Até porque “fizemos investimentos nesse sentido e continuamos”, prossegue, apontando várias iniciativas que a NOS está a fazer da aplicação de 5G em cenários inovadores, disruptivos, que causam transformação nas empresas.
“O esforço fazemos. Criamos o Hub 5G, estamos a investir nisso, estamos a tentar andar para a frente”, sublinha.
Miguel Almeida aponta que a NOS é uma empresa de tecnologia.
“Acreditamos que vai haver ou está a haver uma convergência entre aquilo que é conectividade, que é o tradicional de um operador de telecomunicações, os sistemas de informação, inteligência artificial”, diz, referindo que a empresa quer posicionar-se nestas duas últimas, “por forma a ter uma vantagem competitiva”.
Isto é “particularmente relevante, nomeadamente no segmento empresarial onde, de facto, hoje em dia (…) é difícil ter uma relação com uma empresa baseada apenas nas telecomunicações, na conectividade tradicional”.
“Nós acreditamos que o caminho é por aqui” e “não estou a ver os outros a fazer um caminho semelhante” em Portugal.
Na Europa, “não somos os únicos a nível europeu a fazer este caminho”, aponta, dando o exemplo da Telefónica ou da Deutsche Telekom.
Na tecnologia, a NOS admite a possibilidade de continuar a fazer aquisições.
“Nós queremos crescer esta área. Queremos que ganhe ainda mais relevância no nosso grupo como um todo. Esse crescimento é essencialmente orgânico, fazer crescer os negócios. E vimos que o negócio está a crescer a dois dígitos organicamente”, prossegue.
Mas “não vemos com maus olhos acelerar esse crescimento a partir de aquisições”, no entanto isso “não quer dizer que vá acontecer em 2026, mas é algo que está no nosso radar”.
A NOS vai estar com fibra em todos os concelhos, incluindo as nove ilhas dos Açores, “que é um projeto que me é particularmente caro”, conta, já que tem responsabilidade por esta região.














