Por André Amorim, CEO da Viata
Num setor marcado pela inovação constante, pela complexidade técnica e por ciclos de decisão cada vez mais exigentes, as empresas de tecnologia tendem, muitas vezes, a concentrar o seu discurso nas soluções. Fala-se de funcionalidades, de arquiteturas, de desempenho, de inteligência artificial ou de automação – todos eles conceitos relevantes. Mas há um outro fator que se tem vindo a tornar cada vez mais determinante e que, paradoxalmente, é muitas vezes subestimado: a proximidade das empresas com o cliente.
A proximidade não é um conceito abstrato nem um gesto comercial pontual. É uma prática contínua que se traduz na forma como se escuta, como se acompanha e como se decide. No contexto da tecnologia, estar próximo do cliente significa compreender verdadeiramente o seu negócio, os seus desafios operacionais, as suas limitações e ambições. Só assim é possível desenvolver soluções que criem valor real, em vez de sistemas tecnicamente sofisticados, mas desalinhados da realidade de quem os utiliza.
Um dos impactos mais evidentes da proximidade é a fidelização. Clientes que se sentem ouvidos, compreendidos e acompanhados não procuram apenas um fornecedor – procuram um parceiro. Essa relação de confiança reduz a rotatividade, prolonga contratos e cria um terreno fértil para evoluções naturais das soluções ao longo do tempo. Mais do que vender mais, trata-se de crescer melhor, com relações estáveis e sustentáveis.
A proximidade gera também um efeito poderoso na recomendação. Num mercado saturado de ofertas tecnológicas, a palavra de um cliente satisfeito continua a ser uma das formas mais eficazes de credibilização. A recomendação não nasce de campanhas, mas de experiências consistentes, nas quais o cliente reconhece que a empresa de IT esteve presente nos momentos críticos, respondeu com rapidez e assumiu responsabilidades. É essa memória positiva que transforma clientes em embaixadores da marca.
Outro ganho essencial da proximidade é o fortalecimento da tomada de decisão. Quando existe um conhecimento profundo do contexto do cliente, as decisões tornam-se mais informadas, mais rápidas e mais ajustadas. Reduzem-se ciclos de validação, evitam-se repetições e minimizam-se riscos. Em IT, decisões erradas podem ter impactos significativos nos custos, segurança ou continuidade do negócio, razão pela qual esta clareza é um ativo estratégico.
A rapidez e a agilidade são, aliás, duas consequências diretas de uma relação próxima. Equipas que conhecem bem os seus clientes antecipam necessidades, respondem com maior precisão e adaptam-se mais facilmente à mudança. A proximidade reduz o ruído, encurta as distâncias e permite agir com eficácia num contexto em que o tempo é, muitas vezes, o fator crítico.
Importa ainda sublinhar que proximidade não significa dependência nem informalidade excessiva. Significa profissionalismo com empatia, rigor com compreensão e tecnologia com contexto. É a capacidade de conjugar conhecimento técnico com inteligência relacional, criando soluções robustas que respeitam a realidade humana e operacional de cada organização.
Num mundo cada vez mais digital, são as relações que diferenciam. A tecnologia pode ser replicada; a proximidade, não. É na qualidade da relação com o cliente que as empresas tecnológicas constroem confiança, relevância e futuro. Investir nessa proximidade não é um custo – é uma decisão estratégica que se reflete em fidelização, recomendação, melhores decisões e maior agilidade. E, no final, é isso que sustenta o crescimento de longo prazo.




