A segunda volta destas eleições presidenciais foi menos renhida do que a de 1986, António José Seguro esteve sempre à frente de André Ventura nas sondagens e venceu hoje por larga margem, com perto de 67%.
O antigo secretário-geral do PS, que já tinha sido o mais votado na primeira volta, teve hoje o dobro dos votos do presidente do Chega, força política de direita radical que tem registado progressivo crescimento eleitoral, numa segunda volta em que o PSD, partido no poder e com a maior representação parlamentar, optou por não tomar posição oficial.
Em contraste, há 40 anos, o antigo primeiro-ministro Mário Soares, apoiado pelo PS, ficou em segundo lugar na primeira volta, partiu atrás de Diogo Freitas do Amaral, apoiado desde o início por PSD e CDS, e acabou vencedor na segunda volta pela margem mais escassa em presidenciais até agora.
Pouco mais de dois pontos percentuais e 140 mil votos separaram os dois candidatos, Soares com 3.010.756 votos, 51,18%, e Freitas com 2.872.064, 48,82% dos votos expressos.
Desta vez, António José Seguro foi eleito Presidente da República com o maior número de votos em eleições presidenciais, 3.482.481 quando estavam por apurar os resultados de sete consultados e das 20 freguesias em que a votação foi adiada para o próximo domingo devido aos efeitos das recentes tempestades.
Em percentagem, Seguro teve o segundo maior resultado até agora, 66,82% dos votos expressos, contra 33,18% de Ventura, que recolheu metade dos seus votos, 1.729.381.
Estas eleições aconteceram num quadro em que a direita representa mais de dois terços do parlamento, mas os principais partidos deste hemisfério apoiaram três candidaturas diferentes, entre as quais metade do eleitorado se dividiu.
À esquerda, houve maior concentração de votos em António José Seguro, o único candidato da área do PS, que o veio a apoiar, e que foi o mais votado na primeira volta, com 31,11%, há três semanas, à frente de André Ventura, que teve 23,5%.
Logo nessa noite de 18 de janeiro, o presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, comunicou que o seu partido não iria emitir indicação de voto na segunda volta destas presidenciais, considerando que o seu espaço político não era representado nem por António José Seguro nem por André Ventura.
Apesar disso, houve bastantes figuras do PSD a declarar apoio a Seguro contra Ventura, entre as quais o antigo Presidente da República Cavaco Silva e a primeira vice-presidente do partido, Leonor Beleza.
Sobre o candidato apoiado pelo PSD, Luís Marques Mendes, que ficou em quinto lugar na primeira volta, com 11,30%, Montenegro defendeu que, apesar do resultado, “era a melhor opção” e afirmou que o apoiou de modo “convicto e contínuo”.
À direita, nestas eleições, houve ainda a candidatura de João Cotrim Figueiredo, apoiado pela IL, o terceiro mais votado na primeira volta, com 16%.
Nas presidenciais de 1986, os partidos à direita estavam unidos em torno de Freitas do Amaral, que reuniu mais de 46,31% dos votos expressos na primeira volta, insuficientes, porém, para evitar um segundo sufrágio.
Na altura, foi o espaço da esquerda que, embora com votação maioritária, se dividiu entre três candidaturas. Mário Soares teve 25,43% na primeira volta, à frente de Salgado Zenha, que saiu do PS e se candidatou com apoios do PRD, do então Presidente Ramalho Eanes e do PCP. Maria de Lourdes Pintasilgo, independente a quem a UDP declarou apoio, ficou em quarto lugar.
Quanto aos partidos à esquerda do PS, que nesta legislatura somam 10 deputados em 230 na Assembleia da República, obtiveram na primeira volta destas presidenciais menos de 5% dos votos expressos.
Catarina Martins, candidata apoiada pelo BE, ficou em sexto, com 2,06%. O PCP apoiou nestas eleições António Filipe, que ficou em sétimo lugar, com 1,64%, e o Livre apoiou Jorge Pinto, que acabou em nono lugar, com 0,68%.














