O candidato reformista a primeiro-ministro da Tailândia, Natthaphong Ruengpanyawut, prometeu hoje que “formará o Governo do povo”, num dia em que os eleitores vão às urnas para eleger uma nova câmara baixa do parlamento.
“Prometemos ao povo que vamos formar o Governo do povo”, disse o líder do Partido Popular (PP), de orientação reformista, que lidera as sondagens, mas corre o risco de ser bloqueado por uma aliança conservadora.
Cerca de 53 milhões de tailandeses vão hoje votar nas eleições gerais, onde o PP e o conservador Bhumjaithai (BJT) são considerados os favoritos, e em simultâneo, num referendo sobre a revisão da Constituição promulgada pela junta militar (2014-2019).
Fortemente influenciado pelas forças armadas e pela monarquia, a Tailândia enfrenta uma eleição na qual, segundo as sondagens, nem o PP nem o BJT deverão obter a maioria absoluta e provavelmente terão de procurar alianças para governar.
As urnas abriram às 08:00 (01:00 em Lisboa) e fecharão às 17:00 (10:00 em Lisboa) para eleger os 500 membros da Câmara dos Representantes. Os primeiros resultados são esperados ainda hoje.
As eleições foram antecipadas pelo primeiro-ministro interino, Anutin Charnvirakul, líder do BJT, após um período de instabilidade durante o qual o país teve três líderes, desde as eleições de maio de 2023.
Nessas eleições, com uma participação superior a 70%, a plataforma reformista, então a operar sob a bandeira do Forward, venceu inesperadamente, mas não conseguiu formar governo devido ao veto da câmara alta do parlamento, que tinha sido nomeado pelo governo militar e detinha o poder de participar na eleição do primeiro-ministro.
Contudo, a aritmética da política tailandesa mudou desde a eleição do atual Senado, em junho de 2024, através de um processo indirecto e complexo. O Senado já não participa na eleição do futuro líder, o que pode facilitar a ascensão dos reformistas ao poder.
O PP suavizou o tom em várias questões-chave para a sua base eleitoral, numa tentativa de evitar o mesmo destino do Forward, que foi dissolvido em 2024 por ordem do Tribunal Constitucional por defender uma reforma da lei que proíbe toda e qualquer crítica da monarquia.
O BJT procura manter o poder, que assumiu em setembro, com o apoio do PP e o compromisso de realizar eleições antecipadas.
O partido conservador tem procurado apoio através do uso de uma retórica mais patriótica nos discursos, em plena retoma da violência no histórico conflito fronteiriço com o Camboja, cujos confrontos em junho e dezembro fizeram cerca de cem mortos.
A votação de domingo é amplificada por um referendo simultâneo que pergunta aos eleitores se a Tailândia deve ter uma nova Constituição, o que daria início a um longo processo, com mais dois referendos antes da aprovação de um novo documento.




