Grupo de música sul-coreano sobe ao palco em Macau sem cantor japonês

A organização de dois concertos dos Riize em Macau, hoje e no domingo, anunciou que o grupo masculino sul-coreano vai atuar sem o cantor japonês Shotaro, numa altura de tensões entre Pequim e Tóquio.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 7, 2026
4:20

A organização de dois concertos dos Riize em Macau, hoje e no domingo, anunciou que o grupo masculino sul-coreano vai atuar sem o cantor japonês Shotaro, numa altura de tensões entre Pequim e Tóquio.


Os Riize, que atualmente têm seis elementos, irão subir ao palco da Galaxy Arena, no hotel-casino Galaxy Macau, com apenas cinco artistas, disse na sexta-feira a empresa IME Macau.


Num comunicado publicado nas redes sociais e citado pelo canal em língua portuguesa da televisão pública TDM – Teledifusão de Macau, a empresa justificou a decisão com “circunstâncias imprevisíveis”, sem mais detalhes.


Questionada na terça-feira sobre o cancelamento de espetáculos com artistas japonesas, a diretora dos Serviços de Turismo de Macau disse não ter “informação concreta sobre a situação”.


Maria Helena de Senna Fernandes falava à margem da apresentação do desfile do Ano Novo Lunar, que celebra o ano do Cavalo. Ao contrário de anos anteriores, não haverá grupos do Japão.


Em 28 de janeiro, a emissora sul-coreana MBC, que estava a organizar o ‘Show! Music Core in Macau’, um festival de música da Coreia do Sul, que incluía bandas que integram artistas japoneses, cancelou o evento.


O festival estava marcado para hoje e domingo, no Local de Espetáculos ao Ar Livre, na zona do Cotai, criado pelo Governo local.


A MBC não deu qualquer explicação para a decisão, dizendo apenas que foi tomada “após uma análise completa das circunstâncias locais e das condições logísticas gerais”.


Ainda antes do anúncio oficial por parte da MBC, a imprensa da Coreia do Sul já tinha avançado com o possível cancelamento devido à alegada dificuldade dos artistas japoneses em obter vistos para atuar em Macau.


A Lusa tentou confirmar esta informação junto dos Serviços de Imigração da Polícia de Segurança Pública, o Instituto Cultural (IC) de Macau e a Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais, mas não obteve qualquer resposta.


Em 12 de dezembro, a presidente do IC negou qualquer interferência no cancelamento de concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trata apenas de decisões comerciais dos organizadores.


“Acho que diferentes partes têm os seus fatores de ponderação”, disse Leong Wai Man, numa conferência de imprensa.


“É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou.


Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do setor comercial, é uma decisão do organizador”.


“Não tenho mais nada a acrescentar”, sublinhou a dirigente.


Em dezembro, tinham sido cancelados espetáculos com artistas japoneses em pelo menos três diferentes hotéis-casinos de Macau.


Em novembro, a primeira-ministra do Japão falou no parlamento nipónico sobre uma eventual intervenção militar japonesa num conflito entre a China continental e Taiwan.


Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”.


Dias depois, Pequim desaconselhou deslocações ao Japão, exemplo seguido mais tarde pelas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong.


Ao contrário do habitual, o Governo de Hong Kong não enviou qualquer representante a um evento organizado pelo consulado do Japão na quinta-feira, para assinalar o aniversário do imperador nipónico Naruhito, avançou o portal de notícias Hong Kong Free Press.



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