Ucrânia: AIEA apela à “máxima contenção militar” face a deterioração da segurança nuclear

O líder da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) apelou à “máxima contenção militar” por parte da Ucrânia e da Rússia face à “deteroriação das condições” de segurança das centrais nucleares ucranianas.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 7, 2026
2:55

O líder da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) apelou à “máxima contenção militar” por parte da Ucrânia e da Rússia face à “deteroriação das condições” de segurança das centrais nucleares ucranianas.

O diretor-geral da AIEA lamentou na sexta-feira que os riscos para a infraestrutura nuclear da Ucrânia estejam “sempre presentes” devido à invasão lançada pela Rússia em fevereiro de 2022.

Rafael Mariano Grossi alertou para a necessidade de uma revisão completa do sistema de fornecimento de energia às centrais nucleares da Ucrânia, de forma a “reforçar a sua resiliência e prevenir novos incidentes”.

“O incidente mais recente — ocorrido no passado fim de semana — na rede elétrica da Ucrânia é um forte lembrete dos riscos sempre presentes para a segurança nuclear, decorrentes da deterioração das condições da rede”, acrescentou Grossi.

“São necessárias reparações abrangentes para melhorar a fiabilidade do fornecimento de energia às centrais nucleares da Ucrânia e reforçar a sua resiliência a futuros incidentes na rede”, disse o dirigente, em comunicado.

O diretor-geral da AIEA apelou às partes em conflito para que “estas reparações críticas possam ser realizadas”, sublinhando “o impacto que a atividade militar na rede elétrica pode ter nos sistemas de segurança” da Ucrânia.

No início de janeiro, a Rússia e a Ucrânia acordaram um cessar-fogo localizado para permitir reparações na última linha de alimentação elétrica de emergência ainda operacional que abastece a central nuclear de Zaporijia.

Apesar de ter os seis reatores desligados, Zaporijia, ocupada desde março de 2022 pelas forças russas e a maior central nuclear da Europa, necessita igualmente de eletricidade para o processo de arrefecimento.

Após uma “cascata de interrupções no fornecimento de energia”, provocada pelos últimos ataques na Ucrânia, a AIEA, uma agência que faz parte das Nações Unidas, enviou três equipas para o país.

O objetivo é “avaliar os danos contínuos na rede, examinar os trabalhos de reparação e identificar medidas práticas para reforçar a resiliência do fornecimento externo de energia às centrais nucleares” da Ucrânia.

Em 30 de janeiro, a AIEA reuniu o Conselho de Governadores a pedido de vários Estados-membros, preocupados com a situação nuclear na Ucrânia, após os ataques russos às infraestruturas energéticas do país.

A guerra na Ucrânia “continua a representar a maior ameaça mundial à segurança nuclear”, declarou Rafael Grossi, na abertura da reunião, realizada na sede da agência, em Viena, capital da Áustria.

Treze países, liderados pelos Países Baixos, solicitaram por carta ao Conselho da AIEA que “se reunisse à luz dos mais recentes desenvolvimentos na Ucrânia e das suas implicações para a segurança nuclear”.

A Ucrânia tem acusado repetidamente a Rússia de visar as suas centrais nucleares, afirmando que os bombardeamentos russos podem desencadear uma nova catástrofe.

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