Por Leon Netto, Fundador e CEO da Casa do Sono e da Euro Sofás
Crescer deixou de ser apenas uma questão de escala. Durante décadas, o discurso empresarial associou o crescimento à expansão territorial, ao aumento do volume de negócios ou ao ganho de quota de mercado. Hoje, essa leitura revela-se curta. Num contexto económico mais instável, mais exigente e mais interdependente, o crescimento sustentável passou a depender menos da velocidade e mais da qualidade das relações que uma empresa é capaz de construir e preservar.
Falar de crescimento em conjunto é reconhecer que nenhuma organização opera de forma isolada. As empresas são sistemas abertos, inseridos em cadeias de valor complexas, onde colaboradores, fornecedores e parceiros desempenham um papel determinante no desempenho global. Quando estas relações são frágeis ou meramente transaccionais, o crescimento tende a ser volátil. Quando são consistentes e baseadas na confiança, tornam-se um verdadeiro activo estratégico.
Nos últimos anos, vários centros de investigação e organismos económicos têm vindo a sublinhar esta realidade. Estudos europeus sobre competitividade empresarial indicam que organizações com relações estáveis com fornecedores e níveis elevados de envolvimento dos colaboradores apresentam maior capacidade de adaptação em contextos de crise e melhores indicadores de produtividade. Não se trata apenas de eficiência operacional, mas de resiliência estrutural. Cadeias de fornecimento colaborativas revelaram-se, por exemplo, menos vulneráveis a rupturas em períodos de forte disrupção económica.
O mesmo se aplica à gestão de pessoas. Empresas que investem no desenvolvimento dos seus colaboradores, que promovem uma cultura de pertença e que alinham os objectivos individuais com o projecto colectivo tendem a reter talento e a beneficiar de maior compromisso interno. Este envolvimento traduz-se em melhores decisões, maior foco no cliente e maior capacidade de inovação. Crescer em conjunto começa, muitas vezes, dentro da própria organização.
No plano externo, a lógica é semelhante. Os fornecedores deixaram de ser apenas executores de encomendas. Quando são integrados na visão de crescimento da empresa, tornam-se parceiros de evolução. A partilha de conhecimento, a antecipação de tendências e o alinhamento estratégico permitem ganhos mútuos que dificilmente seriam alcançados numa relação baseada apenas no preço. Este tipo de cooperação cria valor económico e, simultaneamente, fortalece o tecido empresarial envolvente.
Importa sublinhar que esta abordagem não é um exercício de idealismo. É uma escolha pragmática. Num mercado onde a diferenciação é cada vez mais difícil, as relações tornam-se um dos poucos factores verdadeiramente distintivos e difíceis de replicar. Confiança, compromisso e continuidade não se constroem por decreto nem se compram no curto prazo. Exigem tempo, coerência e liderança.
Crescer em conjunto implica também uma visão mais ampla do papel da empresa na sociedade. Ao contribuir para o desenvolvimento dos seus parceiros e das suas equipas, a organização gera impacto económico real, promove estabilidade e ajuda a criar condições para um crescimento mais equilibrado. Este efeito multiplicador é hoje reconhecido como um dos pilares de economias mais sólidas e competitivas.
Num tempo em que se fala tanto de sustentabilidade, talvez seja útil recordar que não existe crescimento verdadeiramente sustentável sem relações sustentáveis. As empresas que compreendem esta ligação e a incorporam na sua estratégia estão, regra geral, mais bem preparadas para enfrentar a incerteza e para crescer com consistência. Crescer em conjunto não é abdicar de ambição. É escolher um caminho mais sólido para a concretizar.




