Portugal deu um passo histórico na cibersegurança: a Deloitte, o Portuguese Quantum Institute (PQI) e a Warpcom, em parceria com a FCCN e a IPTelecom, concretizaram a primeira ligação transfronteiriça com distribuição quântica de chaves de encriptação (QKD – Quantum Key Distribution) entre os dois países.
A transmissão de chaves criptográficas seguras decorreu entre Portalegre e Badajoz, com Elvas a servir como ponto intermédio (trusted node), numa extensão de 65 quilómetros utilizando infraestrutura de fibra ótica já existente. A iniciativa integra o projeto Portuguese Quantum Communication Infrastructure (PTQCI), enquadrado na rede europeia de comunicações quânticas EuroQCI.
Para Mário Caldeira, Associate Partner e Quantum Leader da Deloitte, este projeto “marca um importante avanço tecnológico, para que num futuro próximo possamos garantir a segurança dos dados globais com base em tecnologia quântica.”
Bruno Gonçalves, Business Unit Manager de Cybersecurity da Warpcom, sublinha que “apostar em tecnologias de segurança quântica é preparar o futuro da defesa, das finanças, da saúde e da administração pública, setores onde a segurança da informação é absolutamente crítica. Este projeto simboliza o compromisso da Warpcom em assegurar um ecossistema digital robusto e resiliente”, refere Bruno Gonçalves, Business Unit Manager de Cybersecurity da Warpcom.
A tecnologia QKD permite que as chaves de encriptação sejam transmitidas de forma inviolável: qualquer tentativa de interceção é imediatamente detetada, garantindo um nível de proteção superior aos métodos tradicionais, atualmente vulneráveis à evolução da computação quântica.
O PQI destaca o impacto científico e estratégico do projeto, considerando-o pioneiro para a soberania digital nacional. “Esta comunicação quântica abre as portas para ligar Portugal à futura rede europeia de comunicações quânticas”, referiu o presidente do instituto, professor Yasser Omar.
Após esta demonstração, as organizações envolvidas preparam-se agora para aplicar a tecnologia em cenários reais, com especial foco em infraestruturas críticas, fortalecendo a resiliência europeia perante as ameaças digitais emergentes.














