Quando a aprendizagem personalizada encontra a curiosidade infinita

Opinião de Werner Vogels, CTO da Amazon

Executive Digest
Janeiro 27, 2026
9:42

Cada estudante merece um educador que compreenda a sua forma de aprender, desperte curiosidade, respeite a individualidade e estimule a criatividade. Durante grande parte da história, esse acompanhamento personalizado esteve reservado a poucos, a quem podia pagar um tutor privado. Mas isso está prestes a mudar.

Quando pensamos na nossa educação, os momentos marcantes raramente aconteceram em salas cheias. Foram as conversas com professores que se esforçaram por entender como pensávamos, onde hesitávamos e qual a melhor forma de explicar. Esses professores eram exceções num sistema desenhado mais para a eficiência do que para a diversidade.

A escola moderna organizou-se em torno da conformidade: o mesmo currículo, ao mesmo ritmo e avaliado da mesma forma. Sendo o abandono escolar a face mais visível de um problema maior: milhões de alunos permanecem na escola, mas desligados, pouco envolvidos e retirando pouco valor da experiência.

Mas inteligência artificial tem o potencial de mudar esta realidade. As crianças são aprendizes naturais. Perguntam “porquê?” vezes sem conta, até ao limite da paciência dos adultos. O único travão à sua curiosidade é o acesso a pessoas e ferramentas capazes de responder às suas perguntas. Em vez de forçar todos os alunos a seguir o mesmo percurso, a IA permite adaptar o ensino à forma como cada um pensa e cria espaços seguros onde errar não é um fracasso, mas parte do processo.

E não se trata apenas das áreas científicas ou tecnológicas. A IA abre portas à exploração das artes, das línguas, da música e das humanidades. No essencial, faz aquilo que os grandes professores sempre fizeram: alimenta o gosto natural pela aprendizagem.

Os sinais desta transformação já são visíveis, e neste novo ano, ainda o serão mais evidentes: Sistemas de tutoria baseados em IA ficam acessíveis por valores simbólicos. Plataformas educativas atingem milhões de alunos em tempo recorde. E em poucos anos, a utilização de IA, por estudantes, tornou-se quase universal em alguns países.

A chamada Geração Alpha encara a IA de forma diferente dos mais velhos. Para muitos, não é apenas uma ferramenta, mas uma extensão do pensamento. Onde gerações anteriores viam o “impossível”, estes jovens veem o “ainda não”. Estudos mostram que alunos que utilizam ferramentas de IA mostram maior predisposição para enfrentar tarefas difíceis e encaram a aprendizagem como um processo contínuo, não como uma sequência de testes a ultrapassar. Não se trata apenas de melhores resultados, mas de uma relação diferente com o erro, o esforço e o desconhecido.

Importa ser claro: os professores não vão desaparecer. Pelo contrário. Num contexto de escassez global de docentes, a IA pode libertar tempo hoje consumido por tarefas administrativas, correções repetitivas e burocracia. Esse tempo pode ser reinvestido naquilo que realmente importa: criar, acompanhar individualmente, motivar. A evidência aponta nesse sentido, professores que usam ferramentas de IA recuperam várias horas por semana, o equivalente a semanas inteiras ao longo de um ano letivo.

A partir de 2026, a tutoria personalizada com recurso a IA será tão comum como um ter um smartphone. Cada aluno terá acesso a ensino ajustado ao seu ritmo, estilo de aprendizagem, língua e necessidades. A educação é um sistema humano, e as pessoas desenvolvem-se quando as condições certas existem.

Quando deixamos de impor conformidade e começamos a estimular a curiosidade, as escolas ganham vida. E quando isso acontecer, tudo mudará.

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