Do apoio político aos lucros recorde: como os líderes tecnológicos enriqueceram com Trump

De acordo com o ‘Business Insider’, os quatro empresários constam da lista das 500 pessoas mais ricas do mundo elaborada pela ‘Bloomberg’ e estiveram entre os líderes tecnológicos que demonstraram apoio à nova administração, quer através da presença na cerimónia de tomada de posse quer através de donativos

Francisco Laranjeira
Janeiro 21, 2026
13:05

Um ano após o regresso de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, quatro dos multimilionários mais influentes do setor tecnológico que marcaram presença ou apoiaram financeiramente a sua tomada de posse tornaram-se ainda mais ricos. Elon Musk, Jeff Bezos, Mark Zuckerberg e Jensen Huang registaram aumentos significativos do património líquido ao longo do primeiro ano do novo mandato presidencial.

De acordo com o ‘Business Insider’, os quatro empresários constam da lista das 500 pessoas mais ricas do mundo elaborada pela ‘Bloomberg’ e estiveram entre os líderes tecnológicos que demonstraram apoio à nova administração, quer através da presença na cerimónia de tomada de posse quer através de donativos. Entre os nomes presentes estiveram também Tim Cook, Sam Altman, Sundar Pichai, Satya Nadella e Shou Zi Chew.

Elon Musk lidera os ganhos e reforça estatuto de homem mais rico do mundo

Elon Musk foi o empresário que registou a maior valorização da fortuna pessoal durante o primeiro ano de Trump no poder. Segundo o Índice de Bilionários da ‘Bloomberg’, o património do CEO da Tesla cresceu 52% num ano, passando de 449 mil milhões de euros em janeiro de 2025 para 681 mil milhões de euros em janeiro de 2026.

O aumento ocorreu após Musk ter investido pelo menos 277 milhões de euros no apoio a Trump e aos republicanos nas eleições de 2024. O empresário esteve presente na tomada de posse e manteve uma relação próxima com a Casa Branca, desempenhando funções públicas no DOGE até à sua saída, em maio. Apesar de um desentendimento público posterior com Trump, ambos acabariam por se reconciliar.

A colaboração com o Governo provocou inicialmente uma reação negativa contra a Tesla, com a queda das ações nos primeiros meses da presidência. Contudo, a empresa recuperou e Musk consolidou a liderança como o homem mais rico do mundo. Em novembro, os acionistas da Tesla aprovaram um pacote de remuneração de um bilião de euros, condicionado ao cumprimento de objetivos, estando ainda previsto um IPO da SpaceX em 2026.

Bezos cresce de forma moderada apesar da pressão das tarifas

Jeff Bezos registou um crescimento mais contido, com a sua fortuna a aumentar 7%, de 245 para 261 mil milhões de euros. A valorização está maioritariamente ligada à evolução das ações da Amazon.

O fundador da empresa assistiu à tomada de posse acompanhado pela sua mulher, Lauren Sánchez, e a Amazon doou um milhão de euros ao comité inaugural. Analistas alertaram, contudo, para a vulnerabilidade da empresa à guerra comercial promovida por Trump, com o CEO Andy Jassy a admitir recentemente que as tarifas estão a pressionar os preços praticados na plataforma. As ações da Amazon mantêm-se próximas dos valores registados há um ano.

Zuckerberg melhora relação com Trump, mas riqueza cresce pouco

A fortuna de Mark Zuckerberg registou uma subida marginal de 1%, passando de 217 para 220 mil milhões de euros. A relação entre o fundador da Meta e Trump foi marcada por tensão nos anos anteriores, incluindo ameaças de prisão após a suspensão da conta do então presidente no Facebook, na sequência dos acontecimentos de 6 de janeiro.

Durante o ciclo eleitoral de 2024, Zuckerberg demonstrou uma aproximação pública a Trump, elogiando-o e participando na tomada de posse. Sentou-se ao lado do presidente num jantar na Casa Branca com líderes do setor tecnológico, enquanto a Meta contribuiu com um milhão de euros para o comité de posse.

Jensen Huang beneficia do crescimento da Nvidia

Jensen Huang foi outro dos grandes beneficiários do primeiro ano da nova presidência. O CEO da Nvidia viu a sua fortuna crescer 32%, de 117 mil milhões de euros para 154 mil milhões de euros.

Embora não tenha estado presente na tomada de posse, a Nvidia doou um milhão de euros ao comité inaugural. Huang reuniu-se com Trump pouco depois do início do mandato, num contexto em que a empresa continua a beneficiar do forte crescimento do setor dos semicondutores e da inteligência artificial.

Recuperação após perdas iniciais nos mercados

Segundo o ‘Business Insider’, apesar de hoje acumularem ganhos expressivos, os quatro multimilionários enfrentaram um início turbulento. Nos primeiros 100 dias do mandato, perderam em conjunto cerca de 194 mil milhões de euros, devido à reação negativa dos mercados às tarifas impostas pela administração Trump. Desde então, recuperaram essas perdas e superaram-nas, acumulando, em janeiro de 2026, mais 288 mil milhões de euros do que um ano antes.

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