OCDE apresenta esta tarde Estudo Económico de Portugal: o que se pode esperar?

Segundo a OCDE, o Produto Interno Bruto deverá crescer 1,9% em 2025 e acelerar para 2,2% em 2026, antes de voltar a abrandar para 1,8% em 2027

Executive Digest
Janeiro 6, 2026
8:00

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico apresenta esta terça-feira, em Lisboa, o mais recente Estudo Económico de Portugal, num relatório que projeta uma aceleração do crescimento económico nos próximos dois anos, mas alerta para riscos externos e para problemas estruturais, com destaque para a acessibilidade à habitação.

Segundo a OCDE, o Produto Interno Bruto deverá crescer 1,9% em 2025 e acelerar para 2,2% em 2026, antes de voltar a abrandar para 1,8% em 2027. O relatório identifica o consumo privado como um dos principais motores da economia, sustentado por um mercado de trabalho pressionado, pelos aumentos do salário mínimo e pela redução do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares.

Investimento público impulsionado pelo PRR

O estudo sublinha que o reforço do investimento público será particularmente visível em 2026, à medida que aumentam os desembolsos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência. Em contraste, o crescimento das exportações deverá manter-se moderado, refletindo uma procura externa fraca, condicionada pelo aumento das tarifas norte-americanas e por um contexto internacional marcado por elevada incerteza.

Apesar da forte procura de mão de obra, a OCDE antecipa uma moderação gradual da inflação, que deverá situar-se em torno dos 2,0% em 2027, num cenário de desaceleração económica ligeira após o fim do ciclo de execução do PRR.

Política orçamental e dívida pública

No plano das finanças públicas, o relatório aponta para uma política orçamental expansionista em 2026, tornando-se contracionista em 2027, sobretudo devido ao termo do período de implementação do PRR. De acordo com a OCDE, a prudência orçamental e a continuidade das reformas estruturais serão determinantes para garantir um crescimento sustentável e manter a dívida pública numa trajetória claramente descendente.

A organização destaca ainda a necessidade de conter as pressões orçamentais associadas ao envelhecimento da população e de reduzir despesas fiscais consideradas ineficientes, de forma a criar margem para investimentos públicos que reforcem a produtividade no médio prazo.

Habitação no centro da análise

Um capítulo especial do Estudo Económico é dedicado à acessibilidade à habitação, identificada como um dos principais desafios económicos e sociais do país. O relatório enquadra esta questão num contexto de crescimento demográfico, pressão sobre os preços e constrangimentos do lado da oferta, apontando-a como um fator com impacto direto na coesão social e na competitividade da economia.

As conclusões do estudo serão apresentadas esta terça-feira pelo diretor de Estudos de País da OCDE, Luiz de Mello, numa conferência de imprensa conjunta com o vice-ministro das Finanças, José Maria Brandão de Brito, em Lisboa.

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