Portugal enfrenta um desafio demográfico crescente, com impacto direto no mercado de trabalho. Um novo relatório da Randstad Research, intitulado “Talento sem prazo de validade: o mercado de trabalho depois dos 55”, revela que, por cada 10 profissionais que saem para a reforma, entram menos de 7 jovens.
O estudo destaca que Portugal é o segundo país mais envelhecido da União Europeia, com 38% da população acima dos 55 anos. As projeções apontam para que, até 2050, quase metade dos portugueses esteja nesta faixa etária. Ao mesmo tempo, a população com menos de 30 anos deverá diminuir em mais de 600 mil pessoas, representando apenas um quarto do total nacional.
Neste contexto, os profissionais seniores, com idades entre 55 e 64 anos, já representam 19,6% da força de trabalho, o valor mais alto de sempre, e 19,8% da população empregada. “Portugal enfrenta atualmente um duplo desafio: o envelhecimento acentuado da população e a dificuldade em reter talento em setores estratégicos. Neste contexto, o talento sénior surge como protagonista, sendo simultaneamente parte da transformação demográfica e uma resposta essencial à escassez de profissionais qualificados”, sublinha o relatório.
A Randstad alerta, no entanto, para vulnerabilidades específicas deste grupo etário. Em 2024, havia 63.500 desempregados com mais de 55 anos, representando 18,1% do total de desempregados, com destaque para o desemprego de longa duração: 28,8% dos desempregados há mais de um ano têm mais de 55 anos.
O estudo evidencia ainda que Portugal apresenta a quarta pior taxa de renovação geracional da União Europeia, com apenas 68% de substituição entre jovens e profissionais prestes a reformar-se. “O défice estrutural de talento acentua o desafio demográfico e obriga Portugal a depender de forma crítica do prolongamento da vida ativa dos seus profissionais séniores, bem como da imigração de jovens trabalhadores, para evitar uma contração da sua força de trabalho”, alerta o relatório da Randstad.
O equilíbrio de género entre os profissionais séniores é praticamente total, com 50,4% de mulheres e 49,6% de homens, refletindo o peso crescente da longevidade feminina no emprego. Segundo a Randstad, a valorização do talento sénior será determinante para enfrentar os desafios demográficos e garantir a sustentabilidade da economia portuguesa nas próximas décadas.
“”Portugal enfrenta o envelhecimento populacional como o seu maior dilema de sustentabilidade social e financeira, com a pressão sobre a Segurança Social e a Saúde a atingir níveis críticos. Contudo, a solução não reside apenas em cortes ou reformas restritivas, reside sobretudo na ativação estratégica de uma economia orientada às atividades, produtos e serviços que devem ser desenvolvidos para satisfazer as necessidades e potenciar o consumo destes profissionais, refere Érica Pereira, diretora da área de Professional Talent Solutions da Randstad. “O talento sénior deve ser visto como um contributo de receita e inovação. Ao promover o emprego sénior, o consumo ativo e a longevidade saudável, estamos a alargar a base contributiva e a reduzir a dependência, transformando a demografia numa alavanca para a equidade intergeracional”, acrescenta.














