Por cada 10 profissionais que saem para a reforma, entram menos de 7 jovens no mercado de trabalho, revela estudo da Randstad

Portugal enfrenta um desafio demográfico crescente, com impacto direto no mercado de trabalho. Um novo relatório da Randstad Research, intitulado “Talento sem prazo de validade: o mercado de trabalho depois dos 55”, revela que, por cada 10 profissionais que saem para a reforma, entram menos de 7 jovens.

André Manuel Mendes
Novembro 18, 2025
10:37

Portugal enfrenta um desafio demográfico crescente, com impacto direto no mercado de trabalho. Um novo relatório da Randstad Research, intitulado “Talento sem prazo de validade: o mercado de trabalho depois dos 55”, revela que, por cada 10 profissionais que saem para a reforma, entram menos de 7 jovens.

O estudo destaca que Portugal é o segundo país mais envelhecido da União Europeia, com 38% da população acima dos 55 anos. As projeções apontam para que, até 2050, quase metade dos portugueses esteja nesta faixa etária. Ao mesmo tempo, a população com menos de 30 anos deverá diminuir em mais de 600 mil pessoas, representando apenas um quarto do total nacional.

Neste contexto, os profissionais seniores, com idades entre 55 e 64 anos, já representam 19,6% da força de trabalho, o valor mais alto de sempre, e 19,8% da população empregada. “Portugal enfrenta atualmente um duplo desafio: o envelhecimento acentuado da população e a dificuldade em reter talento em setores estratégicos. Neste contexto, o talento sénior surge como protagonista, sendo simultaneamente parte da transformação demográfica e uma resposta essencial à escassez de profissionais qualificados”, sublinha o relatório.

A Randstad alerta, no entanto, para vulnerabilidades específicas deste grupo etário. Em 2024, havia 63.500 desempregados com mais de 55 anos, representando 18,1% do total de desempregados, com destaque para o desemprego de longa duração: 28,8% dos desempregados há mais de um ano têm mais de 55 anos.

O estudo evidencia ainda que Portugal apresenta a quarta pior taxa de renovação geracional da União Europeia, com apenas 68% de substituição entre jovens e profissionais prestes a reformar-se. “O défice estrutural de talento acentua o desafio demográfico e obriga Portugal a depender de forma crítica do prolongamento da vida ativa dos seus profissionais séniores, bem como da imigração de jovens trabalhadores, para evitar uma contração da sua força de trabalho”, alerta o relatório da Randstad.

O equilíbrio de género entre os profissionais séniores é praticamente total, com 50,4% de mulheres e 49,6% de homens, refletindo o peso crescente da longevidade feminina no emprego. Segundo a Randstad, a valorização do talento sénior será determinante para enfrentar os desafios demográficos e garantir a sustentabilidade da economia portuguesa nas próximas décadas.

“”Portugal enfrenta o envelhecimento populacional como o seu maior dilema de sustentabilidade social e financeira, com a pressão sobre a Segurança Social e a Saúde a atingir níveis críticos. Contudo, a solução não reside apenas em cortes ou reformas restritivas, reside sobretudo na ativação estratégica de uma economia orientada às atividades, produtos e serviços que devem ser desenvolvidos para satisfazer as necessidades e potenciar o consumo destes profissionais, refere Érica Pereira, diretora da área de Professional Talent Solutions da Randstad. “O talento sénior deve ser visto como um contributo de receita e inovação. Ao promover o emprego sénior, o consumo ativo e a longevidade saudável, estamos a alargar a base contributiva e a reduzir a dependência, transformando a demografia numa alavanca para a equidade intergeracional”, acrescenta.

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