CEO portugueses aceleram investimento em Inteligência Artificial, mas alertam para falta de competências

A Inteligência Artificial (IA) está a assumir um papel central nas estratégias de crescimento das empresas portuguesas, mas a escassez de talento qualificado e a necessidade de estruturas de governação sólidas estão a condicionar o ritmo de adoção, revela o estudo CEO Outlook 2025 da KPMG.

André Manuel Mendes
Novembro 17, 2025
10:11

A Inteligência Artificial (IA) está a assumir um papel central nas estratégias de crescimento das empresas portuguesas, mas a escassez de talento qualificado e a necessidade de estruturas de governação sólidas estão a condicionar o ritmo de adoção, revela o estudo CEO Outlook 2025 da KPMG.

Segundo o relatório, 72% dos CEOs nacionais identificam a IA como prioridade máxima de investimento, enquanto 59% planeiam destinar entre 10% e 20% do seu orçamento a esta tecnologia nos próximos 12 meses, valores próximos das médias globais (71% e 69%, respetivamente).

Apesar desta forte aposta, apenas cerca de 40% dos líderes empresariais em Portugal se mostram confiantes na capacidade das suas organizações para implementar e expandir a IA de forma eficaz. A maioria considera essencial iniciar projetos-piloto e experimentar soluções antes de alargar a adoção da tecnologia.

Vitor Ribeirinho, Senior Partner e CEO da KPMG Portugal, destaca que “para transformar o investimento em valor, é essencial garantir dados fidedignos, competências qualificadas e estruturas de governação sólidas. A IA – para gerar valor sustentável – precisa de estar integrada de forma ética, segura e orientada para gerar confiança e resultados de negócio. O equilíbrio entre inovação e responsabilidade será decisivo: as organizações que conseguirem alinhar a adoção da IA com a ética, a regulação e upskilling estará na linha da frente para gerar um crescimento robusto e sustentável”.

Entre as principais barreiras apontadas pelos CEOs portugueses estão as implicações éticas da IA (54%), a escassez de competências técnicas (50%) e a falta de regulamentação (44%). A nível global, estes desafios são igualmente sentidos, com 59% dos CEOs a manifestarem reservas éticas e 50% a apontarem um enquadramento regulatório insuficiente.

O estudo sublinha ainda a corrida ao talento tecnológico como prioridade. Sete em cada dez CEOs portugueses já estão a contratar profissionais com competências em IA e 94% planeiam reforçar as equipas nos próximos três anos. A requalificação e preparação contínua das equipas é considerada um desafio estratégico por 80% dos líderes nacionais, acima da média global de 77%.

A nível internacional, a IA consolida-se como principal vetor de investimento, com 71% dos CEOs globais a considerá-la a prioridade estratégica e 61% das empresas a contratar profissionais especializados. O relatório evidencia uma mudança estrutural nas prioridades de liderança e talento, reforçando a importância de alinhar inovação tecnológica com ética e governação responsável.

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