Por Tomás Santos, Diretor do Negócio Internacional na 99x Portugal
Durante anos, quando se falava em Nearshore/Outsourcing, o primeiro pensamento era quase sempre o mesmo: reduzir custos. Rates mais baixas, equipas maiores, contratações mais rápidas e com uma falta de visão estratégica gritante.
No entanto, e fruto da minha experiência, essa mentalidade pertence ao passado. Atualmente, as empresas europeias enfrentam desafios de diferentes naturezas, que as obrigaram a olhar para esta ‘alternativa’ de uma forma mais estratégica. A escassez de talento digital é real, a pressão para inovar é constante e a necessidade de manter equipas alinhadas e produtivas nunca foi tão importante.
O que estas empresas procuram já não é um fornecedor externo. É um parceiro estratégico. E é precisamente aqui que entra o Nearshore 2.0.
O novo Nearshore não se resume a externalizar atividades ou preencher vagas em falta. Tem a ver com co-criar soluções lado a lado.
As equipas deixaram de estar do outro lado do ecrã à espera de tarefas, olhando ansiosamente para um board que lhes ditaria a vida para os próximos dias. Quem assim sobrevive arrisca-se a ficar sem talento algum. Agora, participam nas mesmas reuniões diárias, partilham objetivos e contribuem para a mesma visão.
Na empresa onde trabalho, vemos isso acontecer todos os dias. Os nossos clientes não procuram apenas programadores, procuram profissionais que pensam, questionam e acrescentam valor estratégico. É essa a verdadeira transformação do Nearshore: a passagem de um modelo de entrega para um modelo de parceria.
Existem três fatores que explicam o sucesso do Nearshore 2.0. Em primeiro lugar, a escassez de talento não vai desaparecer, mesmo com a IA. A Europa não tem engenheiros suficientes para responder à procura e o Nearshore abre portas a equipas experientes, capazes de gerar impacto desde o primeiro dia.
Segundo, a proximidade cultural faz toda a diferença. Trabalhar no mesmo fuso horário, com valores semelhantes e uma linguagem comum, torna a colaboração mais fluida e a confiança mais natural.
Por fim, a flexibilidade é uma vantagem competitiva. A capacidade de escalar equipas ou ajustar projetos rapidamente, sem perder qualidade, é um trunfo essencial no atual contexto tecnológico.
Já não se trata de procurar a opção mais barata, mas sim de encontrar o parceiro certo, a equipa que se integra verdadeiramente na cultura da empresa e a ajuda a crescer mais depressa. Já sabemos: muitas das vezes o barato sai-nos caro.
Portugal afirmou-se, de forma consistente, como um dos destinos mais estratégicos para o Nearshore na Europa. Podemos perceber pela quantidade de empresas internacionais que estão a abrir os seus hubs um pouco por todo o país. Temos talento qualificado, uma forte ética de trabalho, excelentes competências de comunicação e uma cultura que se encaixa naturalmente nas organizações do Centro e Norte da Europa.
Mas o que realmente distingue as equipas portuguesas é a maturidade: o Nearshore não é apenas código, é colaboração, alinhamento e confiança. E no final do dia é isso que acrescenta valor aos nossos clientes e que lhes traz o tão desejado ROI.
O desafio agora é continuar a evoluir e a liderar através da qualidade, fiabilidade e compromisso a longo prazo, e não somente pelo preço.
Quando as empresas tratam as suas equipas Nearshore como verdadeiros parceiros, e não como fornecedores externos, algo muda. Inovam mais depressa, retêm talento durante mais tempo e criam produtos que realmente fazem a diferença.
Como ouvi recentemente numa keynote: “É impossível que o Outsourcing resulte, quando internamente não temos a visão estratégica para o fazer”.




