Por Érica Pereira | Professional Talent Solutions Director da Randstad Portugal
Já estamos em velocidade cruzeiro, o negócio e o mercado assim o obrigam. Mas estivemos de férias! Conseguimos fazer o turn off? Ou houve aquele e-mail ao qual não conseguimos resistir a responder, caindo assim por terra o propósito do “direito a desligar”? Não por culpa das organizações, que têm de continuar a respirar, mas porque desligar é efectivamente um desafio quando a caixa de email continua a lotar e ainda estamos em piloto automático.
Por outro lado, e quando conseguimos efetivamente desligar a mente das tarefas e responsabilidades do trabalho diário, surge espaço para uma reflexão mais profunda e uma auto avaliação sobre a satisfação face ao trabalho. Será que estou no lugar certo? Sinto-me a crescer profissionalmente? Identifico-me nesta fase da minha carreira com o propósito e a cultura da minha organização?
As férias funcionam como catalisador destas perguntas. Ao mesmo tempo que o regresso traz uma energia especial, voltamos mais leves, com novas ideias, este é também um momento em que muitos profissionais reavaliam prioridades e estão mais receptivos a novas oportunidades.
Se durante os últimos dois meses algumas empresas viram os processos de recrutamento em stand by, ou porque não havia disponibilidade interna para realizar entrevistas ou porque os candidatos estiveram pouco receptivos a realizá-las, este pode ser o momento para as empresas renovarem as suas equipas, reforçarem projectos e atrairem talentos motivados e com sede de fazer acontecer.
Entramos no último trimestre do ano, e para além do forte período de transformação em que a maioria das empresas se encontra, começa a preparação do orçamento do próximo ano, e os recrutamentos pendentes até agora ganham urgência máxima aumentando a competição pelo talento.
Se por um lado destacar-se da concorrência desenvolvendo uma “estratégia de ativação” de marca por forma a captar e a reter o melhor talento é fundamental, a agilidade nos processos e a experiência da jornada dos novos colaboradores tornam-se fundamentais. Geralmente os profissionais regressam das férias decididos a melhorar o seu worklife-balance e com perspectivas de carreira que lhes permitam auferir melhores rendimentos. Empresas que oferecem esta flexibilidade e desenvolvimento profissional deverão destacá-los quer internamente para as suas equipas, quer externamente como proposta de valor. Aqui, a parceria entre o marketing e o recrutamento é crucial e deverá fazer parte da estratégia.
Por forma a alavancar o recrutamento urge avançar com a optimização dos processos introduzindo a Inteligência Artificial na contratação de novos talentos. A rapidez e a transparência na gestão dos processos aumentam a taxa de aceitação das propostas apresentadas aos candidatos, já o contrário, tem o efeito totalmente inverso.
Em suma, recrutar após o período de férias é abraçar um momento de renovação colectiva. Encontramos talento com maior disponibilidade a arriscar e empresas também mais abertas a inovar. O segredo está em unir processos ágeis com relações humanas genuínas, equilibrando a eficiência com a empatia.
Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 234 de Setembro de 2025














